Neste domingo (22) o Dique do Tororó, em Salvador, serviu de palco para celebrar a diversidade durante a 18ª Parada LGBT+ da Bahia. O evento teve como tema principal os 40 anos dos Grupo Gay da Bahia (GGB) e os 50 anos da revolta de Stonewall.

Em sua primeiro evento logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL), conhecido por tecer comentários contra à comunidade LGBT, a Parada de Salvador deste ano contou com diversas manifestações políticas.

Em entrevista para o Observatório G, Denis Gomes, um dos membros do GGB e organizador a festa afirmou que, como nunca antes, a Parada de Salvador neste ano passou por uma grande dificuldade financeira. Segundo ele, faltou apoio de empresas e órgãos públicos.


“Mesmo passando por dificuldades nos colocamos a Parada com a apoio do governo municipal e de alguns órgãos. Mas nós também gostaríamos que as empresas, as cervejarias, que venham nos apoiar e mostrar que realmente em suas empresas trabalham pessoas LGBTs. Mostrar que eles abraçam a causa lá dentro, mas que também abraçam aqui fora”, disse.

A multidão tomou conta das ruas do Dique do Tororó (Foto: Gabriel Xavier)

A drag queen Karma Leoa também fez questão de falar sobre o momento político pelo qual o Brasil está passando. Conforme a artista, eventos do tipo servem para reafirmar a força da comunidade.

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Drag Queen Karma Leoa (Foto: Gabriel Xavier)

“Neste momento que estamos agora eu acredito que a gente deveria ocupar mais a rua, e a Parada LGBTQIA+ é uma forma da gente estar na rua se expressando, mostrando nossa sexualidade e individualidade. É muito importante que estejamos agora ocupando este espaço, porque nossos corpos são políticos e precisam estar cada vez mais em pauta”, declarou.

A drag queen Malayka SN também comentou sobre o lado político da festa. “É importante a gente ter em vista que a Parada é um lugar, sobretudo, não só de fervo ou de festa, mas sim um lugar para a gente contestar o que a gente não concorda. Vir para rua e mostrar que está viva já é, sobretudo, uma grande vitória frente a essa onda fascista que se coloca”, disse.

Com sol forte, por volta das 12h já era possível ver jovens, família e artistas do universo LGBT chegando ao Dique do Tororó. Mas só a partir das 15h que os trios começaram a se movimentar pelas ruas do bairro.

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Dona Jaci levou as sobrinhas para conhecer a festa LGBT (Foto: Gabriel Xavier)

Tia de uma jovem lésbica, Jaci foi uma das pessoas heterossexuais aliadas que passaram pela festa colorida. Ao lado das sobrinhas, ela fez questão de demonstrar seu orgulho e falta de preconceito contra a comunidade.

Com 10 trios na rua, o ponto alto da festa foi a passagem do trio da ex-vereadora transexual, Leo Kret. O veículo contou com a presença da vocalista da banda A Dama do Pagode e das drag queens Miguella Magnata e Nininha Problemática. Esta última lançou na última sexta-feira (20), o clipe da música Quem Manda, parceria com Pepita.

Quem também esteve presente na Parada foi a Secretaria Municipal da Saúde, que neste ano montou um stand para fazer impressão da 2ª via do cartão SUS com a opção da inclusão do nome social. Além disso, também houve testagem rápida para HIV/Aids, sífilis e hepatites.