Parada LGBT de 2017 em São Paulo aborda a intolerância religiosa

Bancada da coletiva de imprensa da 21ª Parada do Orgulho LGBT com a presença da Drag Queen Tchaka
Bancada da coletiva de imprensa da 21ª Parada do Orgulho LGBT com a presença da Drag Queen Tchaka (Marcos Paone)

Por Marcos Paone

A Prefeitura de São Paulo e a APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) organizaram uma coletiva de imprensa na manhã de terça-feira (13/06) na sede da Prefeitura, para apresentar a programação e os preparativos da 21ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. O tema desta edição é “Independente de nossas crenças, nenhuma religião é Lei! Todas e todos por um Estado Laico”. O tema foi discutido e desenvolvido ao longo do ano em várias reuniões e parcerias com coletivos, outras ONGs LGBT e militantes independentes onde, entre diversas questões, o fundamentalismo religioso tem ganhado grande importância dentro da política, gerando retrocessos morais sobre os assuntos ligados à diversidade.

O evento contou com a presença do Prefeito João Doria, do Vice-Prefeito Bruno Covas, além de Marcio Elias Rosa (Secretário de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania – Representando o Governador Geraldo Alckmin), Eloisa Arruda (Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania), Claudia Regina (Presidente da APOGLBT), Ana Pellegrini (Diretora Jurídica e Coordenadora de Diversidade do aplicativo UBER para a América Latina) e Rafael Pulcinelli (Diretor de Eventos da SKOL). Além do UBER e da SKOL, a Parada do Orgulho LGBT também é patrocinada pela Pepsico, através do salgadinho Doritos. E também conta com o apoio da Accor Hotels e com o apoio institucional da Prefeitura de São Paulo.

Tchaka posa para fotos
Tchaka posa para fotos (Marcos Paone)

A abertura da coletiva foi feita pela Drag Queen Tchaka, que apresentou dois vídeos. Um deles revelou o tema desta edição da Parada do Orgulho LGBT. O outro vídeo, produzido pelo aplicativo UBER, contou a história de um motorista da empresa que é homem trans e ele relatou a facilidade que teve em usar o seu nome social para se apresentar no aplicativo, além do respeito da empresa em relação à sua condição de transexual.

A SKOL mostrou na coletiva, em primeira mão, uma lata comemorativa em que a bandeira LGBT aparece dentro do logotipo da cerveja. Parte da renda gerada com a venda dessa edição especial, será revertida para a Casa 1, que abriga jovens LGBTs que foram expulsos de casa por conta da sua orientação sexual.

A ideia da Prefeitura é aumentar o investimento privado no evento, com o investimento público, cada vez mais, se limitando à infra-estrutura. Doria não estará no evento, pois vai para Porto Rico por conta dos 15 anos de sua filha Carolina. Ele será substituído pelo Vice-Prefeito, Bruno Covas.

O Secretário Marcio ressaltou o respeito ao próximo e lembrou da Lei Estadual 10.948/2001 que penaliza a discriminação contra os LGBTs. A Secretária Eloisa lembrou que o momento também é de reflexão por conta de dados preocupantes de violência contra LGBTs, falou dos Centros de Cidadania LGBT com suporte jurídico e psicológico. Ela também ressaltou a necessidade de fortalecer o Centro de Acolhimento da Transcidadania, que atualmente atende 135 transexuais fornecendo educação formal, qualificação profissional e reinserção no mercado de trabalho. Eloisa também lembrou que São Paulo foi admitida na Rainbow Cities Network, que é uma rede formada por cidades no mundo que se preocupam e têm ações governamentais em relação ao segmento LGBT e compartilham essas experiências. São Paulo é a primeira (e até agora única) cidade brasileira a fazer parte dessa rede. “A causa deste ano é a intolerância religiosa. Nós sabemos que em nome de Deus algumas violações são cometidas, o que nós não conseguimos compreender…”, completou. O vice-prefeito Bruno Covas ressaltou os benefícios que a Parada do Orgulho LGBT gera para a economia e para o turismo na cidade. Já Claudia Regina lembrou que a intolêrancia vem de uma educação com base preconceituosa, vinda das religiões, comparando com outros casos de violência contra os homossexuais ao redor do mundo, que também tiveram motivação religiosa. “Espero que na 22ª, quem sabe, a gente esteja fazendo uma comemoração apenas. Por enquanto ainda é luta”, declarou Claudia.

Foi aberto espaço para três perguntas, por conta de outros compromissos do prefeito. O repórter Welton Trindade, do Guia Gay São Paulo, lembrou que dados internacionais informam que um em cada dez agentes de turismo no mundo é LGBT e que este segmento movimenta 15% do turismo no mundo. Apesar disso, ele lembrou que não há promoção de divulgação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. “Tudo sobre a Parada é mundo, mas o mundo não conhece a Parada LGBT de São Paulo”, acrescentou. Ele finalizou perguntando qual é o compromisso da prefeitura em relação á essa promoção. O prefeito respondeu lembrando que este é um turismo de alta renda. O gasto per capita é o maior do mundo entre os turistas e se dirigiu ao representante da SP Turis para tomar providências em relação â isso. O repórter Luis Lima, da Revista Época, disse que ele cobre economia e que os números é que lhe interessam. Então ele perguntou o valor dos patrocínios e a diferença em relação a anos anteriores, no valor do patrocínio da Prefeitura.

Doria reiterou a manutenção do apoio da Prefeitura. O valor (R$1.421.115,93) é o mesmo do ano passado. A representante do do UBER informou que a empresa vai patrocinar com cerca de 1 milhão de reais. O representante da SKOL informou que como o evento é privado e a AMBEV (fabricante da cerveja SKOL) é

uma empresa de capital aberto, ele não pode divulgar o valor. Doria completou informando que o impacto do evento na economia costuma ficar em torno de 45 milhões de reais em um único dia podendo chegar a 100 milhões de reais na semana da parada. Claudia Regina informou que a APOGLBT funciona o ano inteiro e cada centavo que entra na Associação, vai embora ao custear aluguel e outras contas. O repórter Leandro Machado, da Folha de São Paulo, perguntou dos vendedores ambulantes lembrando que ambulantes ilegais tiveram mercadorias apreendidas pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) se vai ter cadastro deles e como será a posição da GCM neste ano. O representante da SP Turis, que estava no local, respondeu que somente comerciantes legalizados serão permitidos no evento.

A 21ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo acontece domingo (18/06) com concentração a partir das 10hs em frente ao MASP (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista. Começa ao meio dia e termina às 18hs no centro de São Paulo. A estimativa é a de que o evento receba de 2 a 3 milhões de pessoas. O percurso será de aproximadamente 3,5 km e terá dois trios elétricos.

O do UBER vai contar com a presença da cantoras Anitta, Lorena Simpson, Naiara Azevedo e Marcia Freire (ex-Cheiro de Amor) além de uma atração surpresa. O trio elétrico da SKOL vai contar com a presença da cantora Daniela Mercury. A Avenida Paulista estará bloqueada para carros a partir das 8 horas do dia 18 de Junho. A liberação da avenida acontecerá após a limpeza da via urbana no domingo. A Rua da Consolação ficará bloqueada para carros entre meio dia e 19hs. A segurança do evento vai contar com o suporte da GCM e da Polícia Militar. A Delegacia de Crimes de tolerância (Decradi) também estará de prontidão, caso ocorra algum caso de LGBTfobioa durante o evento.

O UBER também entregou para os jornalistas presentes na coletiva, uma cartilha com o título ‘Respeito ás pessoas LGBTI+’, que conscientiza e esclarece seus colaboradores a respeito da causa LGBT e os ensina a lidar com esse público de forma adequada e respeitosa.


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