Danny (Anthony Mackie) e Karl (Yahya Abdul-Mateen II) (Reprodução/Netflix)
Danny (Anthony Mackie) e Karl (Yahya Abdul-Mateen II) (Reprodução/Netflix)

Por André Junior

O primeiro episódio da quinta temporada de Black Mirror, intitulado Striking Vipers inaugura a nova leva de produções da série antológica da Netflix. Os protagonistas do episódio são Danny (Anthony Mackie) e Karl (Yahya Abdul-Mateen II), conhecidos por seus papéis em Capitão América e Aquaman, respectivamente.

Striking Vipers aborda o relacionamento de Danny e Theo (Nicole Beharie). Casados e pais de um menino, o casal enfrenta a crise de meia idade e o congelamento de suas relações sexuais após Karl presentear o seu amigo com um game de realidade virtual (VR GAME). Automaticamente Danny e o amigo relembram os bons tempos e jogam um contra o outro em realidade virtual. Karl escolhe a personagem Roxette (Pom Klementieff), enquanto Danny escolhe Lance (Ludi Lin), e é aí em que o conflito da trama nos é apresentado. Os velhos amigos tornam-se aditivos ao videogame e uns pelo outro após vivenciarem uma experiência sexual entre os seus avatares.


O episódio faz com que nos questionemos até onde o uso da tecnologia pode afetar nossas relações pessoais e o que é visto ou não como traição por casais contemporâneos. Porém a grande chave e talvez a maior mensagem transmitida com Striking Vipers está acerca da homossexualidade reprimida. Assim como um gay que opta por não assumir-se (com medo de enfrentar os julgamentos ou sofrer represálias dentro e fora de casa) e habita em uma vida paralela criada através de sua mente para se camuflar e proteger-se, os games de realidade virtual permitem que o usuário vivencie um mundo irreal – as vezes utópico – na tentativa de fugir de sua remota e cansativa realidade ou para simplesmente distrair-se e fugir de problemas reais.

O roteiro do episódio se desenvolve com maestria e ao mesmo tempo em que nos entrega uma simplicidade nas produções (haja visto episódios onde aranhas gigantes devoraram alienígenas e GPS foram transformados em maquina assassinas), Strinking nos entrega atuações impecáveis e um enredo focado num futuro mais próximo ao século XX. Os personagens Danny e Karl tentam descobrir se de fato existe a vontade das partes de construir algo fora da tela, mas falham após beijarem-se. Talvez isso seja fruto da incapacidade de destruir um casamento de anos com herdeiros ou simplesmente pela dificuldade de se entender como homem gay.

Na tentativa de não divulgar mais spoilers, revelo aos leitores do Observatório G que ao final do episódio fora acordado ao casal Theo e Danny uma espécie de vale night mensal. Assistam e refitam! Traição virtual é relevável! E o que vocês acham: Danny e Karl são homossexuais não assumidos ou apenas sentem atração sexual entre si?