Vaginismo (ilustrativa)

O vaginismo é uma doença que acomete de 3% a 5% das mulheres em todo o mundo, segundo informação do site do médico Drauzio Varella. De maneira geral, implica na contração involuntária dos músculos da vagina durante uma relação sexual com penetração, causando dor e desconforto. 

Em seu livro “Descobrimento sexual do Brasil”, a professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), Carmita Abdo, estima que 17,8% das mulheres brasileiras sentem dor ao fazer sexo.

O tema ganhou mais visibilidade após ser mencionado na série adolescente da Netflix, “Sex Education“. No enredo, a personagem Lily (Tanya Reynolds), não consegue perder a virgindade, devido à doença e opta por utilizar pênis de borracha, em tamanhos diferentes, como parte do tratamento. 


Porém, o vaginismo ainda segue como um tabu no que se refere à sexualidade feminina. Para muitas mulheres, é difícil falar sobre sexo – seja no que se refere à masturbação, ao uso de artigos de sex shop ou até mesmo a problemas no desemprenho sexual. 

Entretanto, pesquisar e entender mais sobre o assunto é essencial para aquelas que buscam ter uma vida sexual satisfatória e saudável. 

O que é vaginismo?

Médicos e sexólogos ainda não conseguem precisar a exata causa do vaginismo, porém, a aposta é que seja uma condição, em sua maioria, psicológica.

Como resposta a sentimentos de insegurança, desconforto, medo e ansiedade, a região vaginal provoca as contrações musculares involuntárias, que podem vir, também, acompanhadas pela falta de lubrificação adequada. Tudo isso resulta em uma experiência sexual incômoda.

O vaginismo ocorre, muitas vezes, porque o sexo ainda é visto como algo não natural para diversas mulheres. Não é raro que muitas se sintam nervosas ou não saibam relaxar totalmente durante a relação. O resultado é a entrada em um estado de alerta cerebral, que inicia as contrações involuntárias, como forma de dar fim àquela relação que, por algum motivo, é vista como uma ameaça.

Para além de fatores da psique, o vaginismo pode estar associado também a disfunções no corpo, como problemas ginecológicos, urinários e hormonais. 

Alguns dos principais sintomas da condição, além da dor, são dificuldade em manusear a própria região íntima – seja com as mãos, vibradores ou até mesmo durante exames médicos ou para a inserção de absorventes internos – ardência e ansiedade durante a relação sexual.

Por ser uma doença com diferentes sintomas e sem causa específica, o tratamento do vaginismo pode contar com uma variedade de profissionais – como psicólogos, psiquiatras, ginecologistas, endócrinos e sexólogos. 

Tratamentos para vaginismo 

Como mencionado anteriormente, a abordagem é diversa. O melhor caminho para a cura irá depender do caso específico, da resposta da pessoa às medidas e da orientação de cada profissional.

Na série da Netflix, a personagem fez uso de uma prótese peniana para auxiliar na dilatação no canal vaginal. E, de fato, essa é uma das opções de tratamento. Existem diversos tipos de dilatadores, de diferentes formatos e tamanhos, que podem ajudar nisso.

Além dessa técnica, é possível realizar exercícios de relaxamento da musculatura e da região pélvica, junto a ginecologistas e fisioterapeutas. Somado a isso, a pessoa pode tentar inserir técnicas de respiração no dia a dia, a fim de controlar sentimentos de ansiedade. 

Ainda há a opção de realizar reposição hormonal, caso o médico perceba algum desequilíbrio, que pode estar causando a diminuição da libido e a dificuldade para ter relações sexuais.

Entretanto, o tratamento psicológico – seja como terapeutas ou sexólogos especializados – continua sendo um dos caminhos mais indicados. Cuidar da mente é essencial para entender o que pode estar causando o vaginismo e, também, auxiliar a pessoa a se manter relaxada e focada durante a relação.

De toda forma, independentemente de qual seja o tratamento ideal, é essencial que se procure ajuda profissional. De acordo com o site de Dráuzio Varella, muitas mulheres não conseguem relatar o problema a médicos ou terapeutas, o que potencializa os sintomas da doença e pode, ainda, causar danos na região da vulva e da vagina.