Sexo no isolamento social
Sexo no isolamento social - Foto: Vlad Orlov

Com o passar do tempo, é comum que a frequência de relações sexuais entre os casais diminua. E isso pode acontecer por vários motivos: monotonia da rotina, falta de diálogo aberto, cansaço do trabalho, dentre muitos outros.

O período de isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19 ressaltou ainda mais esse problema e a necessidade de encará-lo com maturidade. “Muitos casais ficaram mais próximos afetivamente, mas se afastaram sexualmente. É natural, tudo que entra em uma rotina, que está de muito fácil acesso, tende a enjoar. A tendência da nossa mente é essa, de se desligar um pouco da situação monótona”, observa a sexóloga Elisangela Pereira.

Um diálogo aberto é sempre a peça-chave quando o assunto é relacionamento. É preciso entender a necessidade de quem está com a gente para driblar os problemas cotidianos, que sempre existirão. Nesse sentido, acompanhe quatro dicas para esquentar o clima.


É hora de se conectar 

Para ter uma vida sexual mais ativa, é importante que haja diálogo. Parceiros  precisam conversar abertamente sobre as questões que afetam a relação para, juntos, buscarem respostas. Ao ouvirem o que cada um tem a dizer, é possível que percebam que o problema era mais fácil de ser tratado do que acreditavam. 

Para iniciar a conversa, o ideal é fazer isso de maneira natural e não como um tópico burocrático a ser resolvido. Uma dica é puxar assuntos de filmes eróticos, de leituras sobre posições sexuais, entre outros, e, a partir daí, instigar que a outra pessoa dê sua opinião. Pode ser um bom pontapé inicial. 

Surpresas para o parceiro

Após estabelecido o diálogo, é interessante que os casais surpreendam um ao outro, como uma forma de evitar que a relação caia na rotina novamente. 

A experimentação do novo é a grande dica de Pereira para lidar com o problema. “O conselho que eu dou é utilizar a criatividade sexual antes de qualquer coisa. Trabalhar no campo da criação, de novos cenários”, aponta a sexóloga.

Ou seja, uma lingerie nova, uma fantasia erótica comprada em um sex shop ou até mesmo um jantar especial à luz de velas, seguido de massagem com óleos corporais. A surpresa pode ser qualquer coisa que faça sentido à relação. Não há regras.

Se a pessoa é mais tímida no campo das aventuras sexuais, é sempre válido começar pelo básico. Um simples toque de dedos pelo corpo é capaz de aflorar rapidamente o desejo sexual. E, para apimentar a prática, vale apostar em vendas nos olhos, tornando o tato ainda mais aguçado. 

Brinquedos eróticos

O uso de brinquedos eróticos pode ser um experimento novo na relação, um motivo a mais para excitação. Este tipo de apetrecho ajuda a descobrir novos gostos, posições e possibilidades para a vida sexual. Por isso, também está na lista de recomendações da sexóloga, junto a fantasias, vestimentas, cenários e experimentação de novos locais da casa.  

Por exemplo, apesar do uso do vibrador estar se tornando algo cada vez mais comum, muitos nunca experimentaram ou tiveram seu próprio aparelho. 

Além do medo e da vergonha, há um entendimento de que vibradores servem apenas para a masturbação feminina. Isso não é verdade. Existem diversos modelos ideias para serem usados por casais – tanto hétero quanto homossexuais.

É fácil encontrar aparelhos de pontas duplas, que podem estimular mais de um ânus ou vagina ao mesmo tempo, ou ainda vibradores que se foquem tanto no clitóris, quanto na estimulação do pênis. 

Novas zonas erógenas 

No dia a dia, grande parte dos casais costuma se focar sempre nas mesmas zonas erógenas. No caso dos heterossexuais, então, isso é mais perceptível.  A sociedade, como um todo, ainda é muito falocêntrica e heteronormativa, fazendo com que muitos acreditem que o máximo de prazer se dá no encontro do pênis com a vagina.

Porém, isso está longe de ser verdade. Grande parte das mulheres sentem mais prazer na estimulação clitorial, enquanto diversos homens afirmam gostar de serem estimulados no ânus – o que pode ser feito com o dedo, um plug anal, entre outros.  

Não existe regra, a não ser o respeito ao limite de cada um e ao consentimento. O corpo humano é complexo, repleto de áreas erógenas, prontas para serem descobertas.

Além das clássicas, como vulva, pênis, seios e ânus, regiões como braços, coxas, pescoço também podem provocar muito prazer. Outra dica é pensar em novas formas de explorar o próprio corpo.

No caso de uma mulher com vagina, por exemplo, se ela está acostumada à masturbação clitorial, pode ser interessante conversar com o parceiro sobre prazeres no ponto G, localizado no interior do canal vaginal, ou ainda no ânus, entre outros. Muitas vezes, descobrir novas partes do corpo que excitam e causam desejo é mais fácil do que parece, já que muitas não são devidamente exploradas com frequência.