Primeira travesti a adotar no país é escolhida para ser mãe de duas menina trans

Além das duas filhas trans, Alexya Salvador também adotou um menino com necessidades especiais

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Uma travesti foi a primeira a conseguir finalizar o processo de adoção no Brasil. Alexya Salvador, que fez sua transição de gênero aos 28 anos, concedeu um depoimento a Mariana Gonzalez, do portal UOL Universa, e falou sobre como foi adotar os três filhos, sendo que dois deles, são crianças trans.

Sempre tive o sonho de ter filhos. Vim de uma família muito grande e, desde muito jovem, dizia que queria ter pelo menos três. Mas não imaginava que eu seria mãe, muito menos que eu seria a mulher que eu sou hoje”, conta ela, que é casada com Roberto, há 12 anos.

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Alexya conta que quando decidiu que era o momento certo para dar o próximo passo, começou a pesquisar histórias de pessoas trans na adoção, mas, infelizmente, não encontrou nenhuma. Ela foi a primeira trans a concluir a adoção no país. Seu primeiro filho chegou após o casal entrar no Cadastro Nacional de Adoção. Depois de um processo todo, eles conheceram Gabriel, que é um menino com necessidades especiais.

Mas o grande sonho de Alexya era ser mãe de três filhos. Logo depois, ela recebeu um telefonema da juíza da Vara da Infância e Juventude de Jaboatão dos Guararapes (PE). “Ela tinha visto uma entrevista minha, na TV, dizendo que tinha o sonho de adotar uma criança trans, e me ligou porque tinha uma criança com características de ser uma menina trans na comarca dela. Perguntou: ‘Quer conhecê-la?’”, relatou. Mais tarde elas se conheceram. “Numa conversa por telefone, antes de eu conhecê-la pessoalmente, ela pediu: “Mainha, me traz roupa de menina?”. Ela não queria sair do abrigo vestida de menino. Pediu vestido, calcinha, sutiã. Tudo aquilo tinha sido negado para ela“.

Alexya, que já foi candidata em cargo político e é reverenda em uma igreja de São Paulo disse: “Perguntei para ela qual nome queria usar, e ela pediu que eu escolhesse, afinal, eu já era mãe dela. Eu sempre quis que minha primeira filha tivesse o nome da minha mãe, então escolhi Ana Maria.”

Com dois filhos em casa, só faltava mais um para o sonho se concretizar. Em 2019, ela recebeu outro telefonema, para adotar outra menina trans, de 7 anos, que estava à espera de adoção em Santos [litoral de São Paulo]. No relato, ela conta que eles foram no mesmo dia para lá, quando conheceram Dayse. “Era uma menina. Uma semana depois, o juiz nos deu a guarda dela. Hoje, ela passa no ambulatório de crianças trans do Hospital das Clínicas de São Paulo, junto com a Ana”, conta.

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