Matheus Cardoso
Matheus Cardoso (doação de sangue) Foto: arquivo pessoal para o G1

Jovem gay doa sangue pela primeira vez desde que decisão do STF sobre relaxamento nas regras de doação de sangue, publicado há uma semana. A decisão muda uma história de luta que se arrasta há anos junto à comunidade LGBT e vem em um momento delicado de pandemia.

Em entrevista ao G1, Matheus Cardoso disse que foi “uma experiência muito gratificante” a primeira doação de sangue na vida. Matheus foi ao banco de sangue do Hemolagos nesta quarta-feira (13) em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, e fez questão de registrar o momento que vai ficar marcado em sua história.

“Após o Supremo cair com essa resolução preconceituosa que impedia que nós da comunidade LGBT pudéssemos doar, eu vim aqui e tive uma experiência muito gratificante de poder ajudar o próximo doando o meu sangue, exercendo o meu papel de cidadão”, disse Matheus à reportagem.


Matheus, que atua como superintendente de políticas públicas LGBTI+ em Cabo Frio, participou da campanha “Sangue bom é sangue sem preconceito” para incentivar a doação de sangue pelas pessoas LGBTI+ para abastecer o banco de sangue, que precisa de doações agora no atual cenário.

Apoio do hemocentro

O diretor do Hemolagos, doutor Marcelo Paiva, considera importante a decisão do Supremo: “A decisão do STF, por sete a quatro, de permitir a doação de sangue de homens homo afetivos é um instrumento de cidadania. A triagem de doação de sangue deve ser feita pelo comportamento sexual de risco. O comportamento sexual de risco continuará valendo para que nós não habilitemos um doador, em função das doenças sexualmente transmissíveis pelo sangue”, disse o diretor.

Os estoques de sangue nos hemocentros de todo o país tiveram uma grande redução de doações durante a pandemia de Covid-19. A decisão do STF estabelece os direitos do cidadão homossexual de doar sangue e dá uma nova esperança para aqueles que precisam das doações.