Erica Malunguinho, Matuzza Sankofa e outras mulheres comentam sobre resistência contra preconceitos e machismo

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No ano de 1975, o dia 8 de março foi instituído como Dia Internacional da Mulher, pelas Nações Unidas. Há controvérsias quanto à origem da data, há quem diga que ela é estadunidense, ao passo que outros cravam que seu advento foi após a luta de mulheres trabalhadoras russas, em busca de melhorias. Para falar um pouco sobre como é ser mulher, Erica Malunguinho, Matuzza Sankofa e Alice Marcone discorreram acerca de suas experiências.

A deputada estadual Erica Malunguinho fala sobre o preconceito existente na linguagem ao se referir à mulheres trans. “Em minha trajetória, sempre estive ao lado de mulheres negras cis companheiras de luta que compreendem os entrelaçamentos e as interseccionalidades das nossas identidades. O feminismo negro sempre foi incompatível com a transfobia. Na nossa comunidade, de mulheres negras, esse é um assunto que está em outras resoluções”, afirma.

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Então, para além da misoginia a que as mulheres cis estão expostas, nós enfrentamos cotidianamente a transfobia – logo a transmisoginia. Frases como: ‘é homem ou mulher?’, ‘é gato ou é lebre’, ‘traveco’,’você parece mulher de verdade’… interjeições diversas, além de olhares de desprezo, nojo, reprovação, colocam nossa identidade nesse lugar de desumanização”, afirma a Erica.

A cantora Alice Marcone finge que não entende quando recebe provocações transfóbicas de cunho machista. “Eu faço muita questão de pautar minha perspectiva de mulher trans de um modo que traga certa universalidade, de um feminino com o qual qualquer mulher se identifique”, afirma a cantora. “Mesmo em comentários supostamente elogiosos, dá para perceber que são transfóbicos. Não me agrada quando me perguntam como eu consigo ser tão feminina ou coisas do tipo”, relata.

Matuzza Sankofa explica que a objetificação de mulheres trans é muito alta no Brasil, 90% delas atuam na prostituição. “As travestis, muitas vezes não se reconhecem no termo ‘mulher’ e tratam-se como uma ‘mulheridade’”, explica Matuzza. “O termo travesti é um nome político”, explica sobre a necessidade de coexistência dos termos “travesti” e “mulher trans” para que não haja risco de se fazer distinções de caráter higienista entre as “corpas” transvestigêneres, finaliza.

 A internacionalista Alexandra Saphyre de Oliveira, de 52 anos, é mulher trans redesignada há mais de 10 anos. Ela conta que já vive a realidade de um mercado preocupado em incluir pessoas trans, mas ainda se vê longe de ser reconhecida e plenamente respeitada como mulher, sem a necessidade de um sufixo para acolhê-la dentro do universo feminino.

Eu me formei internacionalista pela Universidade Federal do ABC, pratico inglês, francês, italiano e espanhol diariamente, e o máximo que consegui como emprego foi ser recepcionista terceirizada”, conta. “O que eu percebo é que algumas empresas pretendem ganhar pontos juntos a opinião pública, se projetando como inclusivas. Uma empresa para a qual trabalhei colocou uma meta para contratação de uma recepcionista trans, mas quando eu me recusei a ser apresentada com base nesta característica, senti uma certa resistência por parte da empresa”, afirma.

Com foco em garantir um ambiente de trabalho inclusivo para pessoas transvestigêneres e não binárias, o aplicativo de idiomas Babbel, inspirado pela TransEmpregos, criou o ebook Orientações para a Inclusão Linguística de Pessoas Trans, assinado pela doutora em Linguística e pesquisadora da Universidade de Birmingham (Reino Unido), Carmen Rosa Caldas-Coulthard.

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