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Solenidade de abertura do Festival ocorreu na Sala 02 do cinema Dragão do Mar, em Fortaleza (CE). (Foto: Erica Cândido/13ºForRainbow)

Taiane Sousa e Jamile Bezerra são de Fortaleza (CE), e frequentam o For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e de Gênero há pelo menos três edições.

A gente na verdade estava esperando há um tempinho pelo For Rainbow [começar]”, brinca Jamile quando questionadas pela escolha de vir aquela noite ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O órgão de incentivo à cultura é casa desta 13º edição do For Rainbow, festival de cinema LGBT+ realizado na capital cearense desde 2007.

A Mostra Competitiva Internacional conta este ano com 36 filmes, que concorrem em 13 categorias ao Troféu Elke Maravilha (a produção recebeu inscrições de 104 países). Em paralelo, o Festival oferece ainda shows, oficinas, workshops, lançamento de livros, exposição, performances, teatro entre outros. É o maior do tipo no Brasil a oferecer programação inteiramente gratuita, e segue até esta quinta-feira (de 08 a 14 de novembro).


Filipe Catto trouxe a Fortaleza o show “O nascimento de Vênus”. (Foto: Erica Cândido / 13ºForRainbow)

A noite de abertura contou com a estreia mundial do documentário “Madame: Camille Cabral”, obra que conta história da médica paraibana ativista dos direitos LGBT+ que se tornou primeira transexual eleita na França. Ao final da sessão, o gaúcho Filipe Catto comandou a festa com o show “O nascimento de Vênus”. “Foi incrível. A gente viu ele super de pertinho”, contou Jamile após o show. “Ainda não o tinha visto cantar assim”, emocionou-se Taiane.

Tales Moraes (esq) e Piter Costa aproveitaram a viagem a Fortaleza para curtir a programação do Dragão do Mar. (Foto: Erica Cândido / 13ºForRainbow)

Piter Costa e Tales Moraes são de Maceió, e chegaram a Fortaleza naquela mesma sexta de madrugada. O casal de turistas veio à capital do Ceará comemorar o aniversário de Tales – este já havia estado na cidade há muitos anos, aquele era a primeira vez. “Quando nós pensamos em vir a Fortaleza, tínhamos como principal referência o Dragão do Mar. Ao ‘estalquear’ o instagram do Dragão, a gente descobriu que estaria rolando o evento, e viemos conferir”, conta o aniversariante.

Mas a noite não era composta exclusivamente de manas e minas. É o caso de Pablo, que por conta de um congresso passava uma semana em Fortaleza. O baiano de Salvador curtiu o show acompanhado de amigos do compromisso profissional, e elogiou a programação do Festival. “Pena que volto amanhã”, contou.

Legenda: Essa é a quarta edição de Jamile e Taiane (camisa estampada). Foto: Erica Cândido / 13ºForRainbow

Resistência

Horas antes da cerimônia de abertura o ex-presidente Lula foi posto em liberdade, e a notícia não passaria despercebida no Festival. Em sua fala a cineasta, jornalista e produtora cultural Verônica Guedes, idealizadora do For Rainbow, disse que aquela noite não queria falar de problemas. “Hoje eu estou muito feliz para falar de coisa triste!”, fincou posição acerca das dificuldades de financiamento enfrentadas para realização do Evento. A produtora Labelle Rainbow, que está à frente do Festival desde as primeiras edições, aproveitou o momento para agradecer a presença do público. “O For Rainbow é feito, antes de mais ninguém, por vocês!”.

A cantora e atriz Verônica Valenttino é natural de Fortaleza (CE), e há alguns anos reside em São Paulo (SP). A trans, que colabora com o Festival desde as primeiras edições, dividiu a apresentação da cerimônia com Natasha Faria, superintendente do Dragão do Mar. “O For Rainbow é um festival de pura resistência”, resume Valenttino, que explica: “Vivemos em um país que persegue essas corpas, e a gente é consciente que existe LGBTfobia e boicotes. E o For Rainbow é focado na produção dessa galera, e se dependermos [classe artística] desse governo atual [incentivar]… por isso eu digo que [o For Rainbow] é pura resistência.”

A edição deste ano contou com patrocínio da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), e apoio do Instituto Dragão do Mar, Governo do Estado do Ceará (via Casa Civil e Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – Secult) e Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.