Como saber se estou em um relacionamento abusivo?

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Você sabe o que é um relacionamento abusivo? Já se sentiu confuso, angustiado e sem rumo em uma relação? O Observatório G, ao lado do psicólogo Fabiano Saft, reuniu essa pauta para lhe ajudar com alguns passos principais para sair da toxidade abusiva e comum no cenário LGBT+.

OBS G: -Como identificar um relacionamento abusivo?

Fabiano Saft: “Infelizmente não são somente relações heteroafetivas que estão marcadas por violências físicas, psicológicas, verbais, sexuais e patrimoniais. Relações abusivas entre pessoas da comunidade LGBTQIA+ também são frequentes e podem ter suas peculiaridades. O relacionamento abusivo é definido como uma relação que apresenta abusos de ordem física e/ou emocional. A relação se torna abusiva quando uma das pessoas utiliza o poder para manipular e controlar o outro; por exemplo: controle do uso de roupas, amizades, redes sociais, ciúme excessivo e vitimização. Pode-se dizer que a relação não vislumbra uma horizontalidade. Para caracterizar um relacionamento abusivo são levados em conta fatores como o sofrimento causado em uma pessoa, a frequência dos abusos, ciclos de agressão e escalonamento da violência. O relacionamento abusivo segue alguns padrões e gera sentimentos recorrentes como dúvidas, confusão mental, ansiedade, insegurança e esperança de que o parceiro mude e os abusos cessem.”

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OBS G: -Como sair de um relacionamento abusivo?

Fabiano Saft: “Pode-se dizer que é bem difícil sair de um relacionamento abusivo sem algum tipo de intervenção social, e com isso falo de um amigo, a própria psicoterapia ou até mesmo de algum vizinho que recorreu à polícia. Se você percebe-se em uma relação de tal tipo, busque ajuda. Reencontrar a autonomia necessária para saber o que é de fato importante e necessário para si é um excelente caminho para sair de uma relação abusiva e até mesmo evitar entrar em outras. A depender do grau de abuso vivido nesta relação, não recomenda-se um término presencial. Como as pesquisas correlacionadas a relacionamentos homoafetivos com traços abusivos ainda são escassas, recorro a esta infirmação da Psicóloga Pollyanna Abreu (2020): 70% das mulheres que morrem em casos de violência doméstica, morrem no término, que é o momento que o abusador sente que já não tem mais nada a perder. Este término é um “grande não” para ele, que pode ficar ainda mais agressivo e manipulador.
Gostaria de aproveitar a pergunta para frisar que apontar a vítima como culpada por permanecer neste tipo de relação é somente outra forma de agressão destinada a pessoa. A mesma sociedade que cria solo fértil para um relacionamento abusivo é a que culpa a pessoa porque ela não consegue sair desse relacionamento.”

OBS G: -O que fazer com cicatrizes depois de um relacionamento abusivo?

Fabiano Saft: “Ninguém sai ileso a ninguém. Mas relações abusivas são situações extremamente traumatizantes e podem ocasionar um grande leque de transtornos psicológicos.
É extremamente importante fortalecer sua rede de apoio (amigos, familiares, pessoas de sua confiança) em momentos como esse. Todo término de relação ocasiona lutos, mas relações com características de abuso requerem uma maior atenção, sendo importante oferecer ajuda para a vítima, perguntando como ela está e ajudando a entender o que ela está passando. Também é recomendado oferecer ajudas práticas: oferecer para ela dormir na sua casa ou ajudá-la no pagamento de um advogado ou atendimento psicológico, se você puder.
Para casos de emergência, onde você percebe que alguém próximo é vítima de violência, ligue para a polícia (190). Se for para denunciar casos de violência que não estão ocorrendo naquele exato momento, ligue 180. Se você é vítima de violência psicológica, física ou sexual, procure ajuda judicial e psicológica.

Sobre a fonte: Fabiano Saft é Psicólogo Clínico atendendo a jovens, adultos e idosos. Possui experiência de atendimento clínico à pessoas LGBTQIA+ vítimas de violência de gênero.

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