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Cela : Foto Ilustrativa

Segundo o Relatório divulgado pelo Ministério dos Direitos Humanos sobre as penitenciárias do Brasil em relação a comunidade lgbt, foi constatado que a Paraíba é o quarto estado que possuí mais presídios com alas especificas para lgbts.

São nove unidades num total de 79 penitenciárias, em comparação a outros estados a Paraíba só perde para São Paulo com 51 unidades, Pernambuco com 11 e Goiás com dez presídios, dados segundo matéria do G1.

Apesar da colocação do estado em relação ao Nordeste ser boa, apenas 11% das unidades trabalham com alas especiais. Entre elas a unidade Róger entrou na lista. O Presídio Desembargador Flósculo da Nóbrega, mais popular Presídio do Róger é uma das nove unidades.


O presídio atualmente fez a detenção de presos provisórios e condenados, trabalhando muito a cima de sua capacidade. A estrutura é para 470 presos e já conta com 1054.

Eu cheguei em Esperança. Fiquei confortável lá porque já tinha travesti lá. Passei 9 meses lá. De lá eu fui pra Araras e lá só era eu no meio de cento e poucos homens. Só eu de travesti. Sofri, viu. A coisa do psicológico. Me senti sozinha lá. Não tinha ninguém pra conversar. Era só conversa de homem, de bandido. Eu ficava trancada na minha cachanga. Emagreci muito. Minha mãe ficou com pena de mim. Vim fumar na cadeia. Eu não fumava na rua. Eu ficava com medo, ficava assustada. A gente tinha vergonha de ficar nua. Botavam a gente no bolo nua. Revista e tal. Eu morrendo de vergonha. Lá passei um ano e pouco e foi sentenciada e fui para Guanabira. Nenhum desses lugares tem ala. Nesse último eu fui pra uma cela de crente. Nas outras celas eles não me aceitavam. Daí chegou um papel pra mim. Eu nem sabia o que era. Quando eu fui ver era uma transferência pra mim. Quando que eles me falaram “ói você está sendo transferida pro Roger” e eu disse “Roger? Por que?”. “Lá tem uma ala LGBT pra você. Você tem que ir pra lá”. Relatos de alguns presos na ala lgbt, sobre situações que viveram em outras prisões da Paraíba.

O presídio é dividido em alas, a estrutura era de uma escola que hoje atua como penitenciaria. Os dormitórios possuem camas lado a lado dispostos em uma sala razoavelmente grande. Os presos lgbt ficam em uma ala diferenciada dos presos comum, só existe interação de ambos durante o banho de sol. Não há relatos de confusões nesses momentos.