Eduardo Rius dançando Pabllo Vittar (Reprodução/Instagram)
Eduardo Rius dançando Pabllo Vittar (Reprodução/Instagram)

Recentemente o Observatório G publicou o evento de formatura de um estudante de Relações Internacionais da UFRGS que causou grandes reações nos convidados em sua colação de grau. O rapaz falou sobre o momento ter sido rápido e pouco se lembrar por causa da adrenalina. Todos aplaudiram e ele foi ovacionado por quase todos os presentes. Mas como nem tudo são flores, ele chegou a mencionar sobre comentários homofóbicos, críticas e até na possível chance de acionar seu advogado e responde-los de forma legal

O jornalista e publicitário Werner Pfluck, usou seu Facebook para deixar claro, de forma preconceituosa, seu posicionamento sobre o assunto. ” Eu nem iria comentar. Tem coisas que merecem apenas ser ignoradas. Já passou. Mas o incômodo continua. Me senti ofendido, como muitos que estiveram ali, presentes, assistindo àquele mini show grotesco”, começou o texto intitulado “Rebolada e liturgia” .

“Não é problema ser gay ou ativista LGBT, ou militar por suas causas de Pabllo Vittar. Não é esse o ponto”, continuou o autor afirmando que mesmo se fosse uma mulher dançando da mesma forma, seria vergonhoso. Para ele o problema foi ter escolhido rebolar na colação de grau.” Uma colação de grau é um ato solene”. A web não perdoou e o post ultrapassa 1,3 mil comentários.


Ele ainda comenta o fato do aluno em questão (além de todos os outros formandos) estudarem em uma Universidade Federal, e que por isso mesmo exigia respeito dos mesmo. “Tiveram o privilégio, que bem poucos têm, de serem custeados por nossos impostos[…] Um mínimo de respeito e gratidão seria bem-vindo”.

O homem de 47 anos que já se candidatou a Vereador pelo DEM nas eleições de 2016, questiona quem mais se sentiu ofendido, com o simples fato de um formando ter comemorado de forma descontraída sua tão sonhada formatura. Ele divaga a tal ponto que compara a atitude do formando a sua capacidade profissional, “Que tipo de diplomata o lacrador pretende ser? De que maneira pretenderia representar o Brasil perante outras nações?”

Além disso, ele culpa as Universidades brasileiras de ”doutrinar” os alunos, moldando-os a base do “marxismo cultural do patrono Paulo Freire”, o educador brasileiro mais conhecido em território nacional e internacional, que foi citado de forma descontextualizada. Afinal, Freire acreditava e defendia a educação como ferramenta de mudança social e uma forma de reconhecer e reivindicar direitos, segundo o site Guia do Estudante.

Ao citar o filósofo Gramsci, ele se refere a teoria da Hegemonia Cultural, que inicialmente se referia a dominação do pensamento burguês ao proletariado. Tipo a declaração de uns e outros que acham empregada domestica na Disney é absurdo.

Vale comentar que ele sugeriu ao estudante que dançasse “na sala de casa ou em qualquer ambiente onde não estivesse alguém que pudesse se sentir incomodado”. Isso vai de encontro com a luta LGBT nas questão de sair do armário e ter o direito de expressar de forma igual onde e como quiser seu corpo e sua liberdade.

Pfluck conclui o texto de forma a deixar no ar a forma que as universidades estão formando seus frequentadores com um possível desvio de caráter. “Se não sabe, há um problema de formação. Se sabe, há um problema de caráter. Nos dois casos, entretanto, precisamos conversar sobre a universidade pública brasileira”.