Bandeira dos assexuais (Foto Ilustrativa)
Bandeira dos assexuais (Foto Ilustrativa)

Nas últimas semanas o termo “assexual” se tornou um dos assuntos mais pesquisados do Brasil. Este resultado acontece pela presença do psicólogo Victor Hugo, 26 anos, no Big Brother Brasil 20.

Abertamente assexual, Victor demonstrou, sem nenhum problema, estar apaixonado pelo colega do reality, Guilherme. Por conta disso, a assexualidade do rapaz se tornou tema de um grande debate na internet.

De acordo com um relatório do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex), ligado à Universidade de São Paulo (USP), 7,7% das mulheres e 2,5% dos homens não sentem necessidade de manter relações sexuais – e não sofrem com isso. Esta pesquisa foi realizada em 2008.


Já em 2004, o sexólogo canadense Anthony Bogaert fez um estudo que explorou a assexualidade e foi constatado que 1% da população mundial não tem interesse em sexo.

Sendo assim, a fim de retirar dúvidas sobre a assexualidade, o Observatório G entrevistou Thaly Sanches, homem trans e assexual, gerente do TODXS APP, empresa voltada para a comunidade LGBTQ+.

Guilherme e Victor Hugo (Reprodução/TVGlobo)
Guilherme e Victor Hugo (Reprodução/TVGlobo)

Confira entrevista:

Qual a importância de se ter uma pessoa abertamente assexual na TV? 

Muitas pessoas assexuais têm medo de se assumirem na sociedade ou entre suas amizades por diversos motivos, desde serem motivos de chacotas, não serem levados a sério, e sofrerem preconceito dos médicos. No meu caso, por exemplo, já tive problemas com médicos várias vezes por conta disso. 

Por isso é muito importante termos pessoas abertamente assexuais na TV, porque isso traz visibilidade e representatividade pra gente, e nos da coragem para nos assumirmos. Também faz com que mais pessoas conhecem a assexualidade e entendam que ela existe.

As pessoas tendem a acreditar que assexuais não namoram ou não fazem sexo, isso é verdade? Porquê as pessoas tendem a invisibilizar e não acreditar na assexualidade?

Sim é verdade, primeiro porque vivemos em uma sociedade onde sentir atração sexual é visto como o “normal”, então quando uma pessoa diz que não tem tanto interesse em sexo, que, inclusive, é ainda visto como uma necessidade fisiológica por muitas pessoas, isso causa total estranhamento até no meio LGBTI+.

Outro ponto e que as pessoas ainda tendem a achar que atração sexual significa o mesmo que atração romântica. São tipos de atrações diferentes, pessoas assexuais podem sentir atração romântica e nenhuma sexual, ou raramente sexual e sentir atração romântica normalmente.

Arromanticidade ta ligado ao fato de não sentir ou sentir parcialmente/raramente atração romântica, enquanto assexualidade ta ligado ao fato de não sentir ou sentir parcialmente/raramente atração sexual, que, como foi dito anteriormente, são atrações diferentes, o que não impede que uma pessoa possa ser assexual e arromântico”.

A pessoa assexual pode, em algum momento, ter fluidez sexual e ter interesse por sexo?

Sim, existem assexuais que  tem a sexualidade fluida e pode variar a intensidade dependendo de cada época, da mesma forma que existem assexuais estritos que nunca sentiram atração sexual.  Somos seres humanos e estamos sendo nos descobrindo cada vez mais”.