Aplicativo-Dandarah
O APP foi batizado em homenagem à travesti Dandara Ketlyn, brutalmente assassinada em 2017 (Reprodução)

O app Dandarah alcançou um total de 7.168 usuários em menos de dois meses de atividades – ele foi lançado no último dia 18 de dezembro. Ao todo, 23 países estão fazendo uso do aplicativo.

O Dandarah propõe um ecossistema digital para facilitar à população LGBTI+ a se informar, denunciar, registrar, enfrentar e evitar diversas formas de violência às quais essa população está sujeita.

O aplicativo foi idealizado a partir do Projeto Resistência Arco-Íris, da ENSP – FIOCRUZ em parceria com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).


Os estados com mais usuários são Rio de Janeiro (1.200), São Paulo (976) e Ceará (414). Uma média de 2,3 mil pessoas cadastraram contatos de emergência através do botão de pânico que, quando acionado, envia imediatamente para três pessoas previamente cadastradas pelo usuário, uma mensagem informando que ele (a) se encontra em situação de risco.

Por enquanto, o botão de pânico e o mapa de locais seguros ou que devem ser evitados ainda estão em processo de aperfeiçoamento. Todos os usuários cadastrados no app receberão um aviso sobre a normalidade desses recursos. Até o momento, o app recebeu 23 denúncias de violência LGBTIfóbica.

Angélica Baptista, especialista em saúde digital e que também é uma das pesquisadoras do projeto Resistência Arco-Íris, avalia que a adesão ao app é satisfatória.

“Vivemos um momento em que 99% das pessoas não se sentem seguras no país. Oferecer um meio delas poderem comunicar as violências que sofrem e indicar os locais em que se sentem seguras ou não, foi nosso objetivo na hora de desenvolver o Dandarah”, disse a especialista.    

Violência no Brasil

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA divulgou um dado alarmante para o primeiro mês de 2020: o aumento de 180% dos casos de assassinatos de pessoas T. No mesmo período em 2019, foram cinco casos, contra 14 deste ano.

O Dandarah foi batizado em homenagem à travesti Dandara Ketlyn– assassinada brutalmente em 2017, no Ceará. O app está disponível, na versão Beta, na Play Store. Em breve também estará na App Store.