Mauro Sousa
Mauro Sousa (FOTO: Reprodução/Instagram)

Caso não lembrem seu nome de imediato, Mauro Sousa é filho do famoso cartunista Maurício de Sousa, responsável pela “Turma da Mônica” e afins. O diretor é gay assumido e frequentemente rende cliques românticos com o namorado. Aproveitando o gancho, resolveu falar sobre homofobia.

Mauro namora Rafael Piccin há pouco mais de 10 anos e usa sua plataforma de ter 67 mil seguidores no Instagram para levantar a bandeira LGBT. Ele divulgou uma arte em que aparece ao lado de seus irmãos, Maurício e Mariana. Na legenda, um extenso desabafo sobre homofobia.

Primeiro começou explicando o que levou ele a publicar esse texto: “Este texto pode parecer sobre mim, mas não é. O caso é comigo, mas o foco não sou eu. Este texto é, principalmente, um pedido de ajuda (ou um grito de socorro) e ele não vem à toa. A vontade de escreve-lo apareceu por conta das dezenas de mensagens homofóbicas que recebo todos os dias por eu abordar o assunto LGBT, seja na minha vida pessoal ou no trabalho. E elas são muitas. Muitas mesmo”.


Homofobia

Em seguida, tipificou os ataques que recebe por ser homossexual: “Há os preconceituosos indiretos, que se disfarçam de bem-intencionados com o discurso do ‘é inadequado” ou do ‘não é natural’, e há os bem diretos, desejando que eu ‘apanhe de arame farpado’. E não há pior, todos são intencionalmente cruéis – essa normalização da hostilidade me assusta demais”.

Também chegou a relatar como isso influencia em sua vida e o que faz para amenizar o assédio homofóbico: “E como são escritos diretamente pra mim, querendo o meu mal, eu minto se disser que não me machuco sozinho. Meu primeiro impulso é recuar e apenas observar a barbárie acontecendo enquanto fico ali, perplexo, no meu ‘ensaio sobre a cegueira’. Mas eu tenho um escape, eu tenho o meu truque: eu posso escrever”.

Pedidos e repercussão

O desabafo completo você pode conferir abaixo, mas Mauro finalizou o texto fazendo um pedido a seus seguidores: “Da mesma forma que vocês me ajudam, também se atentem às pessoas ao redor. Em especial, aos LGBTs ao seu redor. Sejam adultos ou crianças, eles podem estar precisando de um ombro amigo. E todos nós, mais do que nunca, estamos precisando nos dar as mãos e não soltar mais”.

Assim como inúmeros internautas, o humorista Gustavo Mendesque recentemente se assumiu LGBT — repercutiu o desabafo: “Somos resistência, somos naturais, somos quem somos, somos fortes, empáticos e exemplo, para a próxima geração LGBTQ+. Dói na alma desses doentes, mal resolvidos com sua sexualidade, nos ver sorrir e viver a plenitude da nossa. Pois DURMAM com esse barulho: VIVEREMOS”.

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Este texto pode parecer sobre mim, mas não é. O caso é comigo, mas o foco não sou eu. Este texto é, principalmente, um pedido de ajuda (ou um grito de socorro) e ele não vem à toa. A vontade de escreve-lo apareceu por conta das dezenas de mensagens homofóbicas que recebo todos os dias por eu abordar o assunto LGBT, seja na minha vida pessoal ou no trabalho. E elas são muitas. Muitas mesmo. Há os preconceituosos indiretos, que se disfarçam de bem-intencionados com o discurso do ”É inadequado” ou do “Não é natural”, e há os bem diretos, desejando que eu “apanhe de arame farpado”. E não há pior, todos são intencionalmente cruéis – essa normalização da hostilidade me assusta demais. E como são escritos diretamente pra mim, querendo o meu mal, eu minto se disser que não me machuco sozinho. Meu primeiro impulso é recuar e apenas observar a barbárie acontecendo enquanto fico ali, perplexo, no meu “ensaio sobre a cegueira”. Mas eu tenho um escape, eu tenho o meu truque: eu posso escrever. Não que a intenção seja transformar minha rede social em um diário aberto ou um muro de lamentações (muito pelo contrário), mas é aqui que vou ser lido e acolhido por vocês, meus seguidores. Mesmo que virtualmente, vocês me reconfortam e me mantêm na trilha. E isso é bom. Mas como eu disse, este texto não é sobre mim. Este texto é sobre os milhares de LGBTs por aí que não podem escrever, que sofrem calados, que morrem espancados na sarjeta como se fossem ratos. Se eu, com todo o suporte que tenho, sou atacado e ainda me abalo, imaginem a grande maioria desamparada que não têm ninguém? Então, seguidores, o meu pedido é que, da mesma forma que vocês me ajudam, também se atentem às pessoas ao redor. Em especial, aos LGBTs ao seu redor. Sejam adultos ou crianças, eles podem estar precisando de um ombro amigo. E todos nós, mais do que nunca, estamos precisando nos dar as mãos e não soltar mais. ✏️: na ilustração da minha irmã @marinatakeda , estamos eu, ela e meu irmão @maurisousa_ , abraçados, protegidos, fortalecidos, como sempre estivemos e como todos devemos estar. #maisamor

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