Leandro e Agno
Leandro e Agno, em A Dona do Pedaço (Reprodução/TVGlobo)

Uma das tramas mais marcantes de A Dona do Pedaço é justamente a de Agno. Empresário bem sucedido, casado, pai de uma menina, quase um comercial de margaria, mas a realidade do personagem veio à tona quando ele passa a colocar pra fora sua homossexualidade. Agno passa a se distanciar da esposa Lyris, marca encontro às escondidas até que todos descobrem sua condição.

Para o interprete do personagem, Malvino Salvador, os dilemas enfrentados por Agno são fruto dos preconceitos que acometem uma sociedade conservadora. O artista acredita que as lições que a trama passa, como assumir publicamente sua sexualidade, possam ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo, como até o caso de atores: “Eu acho que pode ajudar qualquer pessoa. Um ator é uma pessoa. Pode sim, também”, disse ele ao OBSERVATÓRIO G.

Malvino também ressaltou que a educação é primordial para acabar com preconceitos. Conversar com os filhos, de acordo com a idade e assunto, é uma das formas de se falar sobre diversidade: “Se a família for preconceituosa, o filho vai ser também, se a família não for, o filho não vai. E é nisso que eu acredito”. 


A criança não nasce preconceituosa, mas é o adulto que passa pra ela o preconceito. Acredita nisso?

“Não tenho dúvida. Tenho plena consciência de que a formação do caráter através da família, a escola e os amigos são importantes, mas se a família estiver presente tem o poder de direcionar a cabeça do filho para que ele tenha referência. Se a família for preconceituosa, o filho vai ser também, se a família não for, o filho não vai ser também. E é nisso que eu acredito”.

Você conversa com as suas filhas sobre a novela, o Agno?

“A mais velha, de dez anos, está assistindo, é a primeira novela que eu faço e ela está assistindo. Converso com ela. O melhor é você conversar, esclarecer tudo. Claro que no tempo certo, na hora certa. Minhas filhas menores estão na fase de brincar de princesa, de boneca, se fantasiar, é outro universo. As coisas vão sendo colocadas de uma maneira que condizem com o universo daquela criança”.

O Agno pode ajudar os atores a se assumirem?

“Quem sabe? Eu acho que pode ajudar qualquer pessoa. Um ator é uma pessoa. Pode sim, também”.

Preparado para o beijo gay?

“Por que não? (risos). O beijo nada mais é do que uma demonstração de afeto”.

O termo beijo gay te incomoda, o termo em si?

“Não. Eu só acho um pouco datado, ainda somos um país muito conservador. Não dá para querer chocar e afrontar as pessoas, se não o objetivo não seria alcançado, fazendo com que o púbico goste do personagem, pode ser que o público aceite esse beijo com mais naturalidade. Chocar, causar … O objetivo não será alcançado. O Walcyr tem sido muito inteligente na forma de conduzir a trama”.

O assédio aumentou nas redes sociais e nas ruas? Homens, mulheres…

“Percebo que algumas pessoas olham diferente […] (risos). A gente fica em evidência, é normal, e o personagem tem esse tempero. Provoca uma curiosidade. A novela é um sucesso, o Agno está muito bem, sempre há um retorno maior. Fui ao Rock in Rio e vinha criança, homens, gays, mulheres, senhorinhas. Está atingindo todo o público”.