Como exposto anteriormente, o ‘Trans-Formação’ havia oferecido oficinas sobre saúde, educação, empregabilidade, direitos humanos, mídias, cuidado pessoal e afins, em programas de mentoria. Enfim, se formou a primeira turma desse inclusivo projeto.

Ao todo, 23 participantes — transexuais, travestis e não-bináries — foram contemplados e a formatura aconteceu na quarta-feira (4), no Espaço Cultural Solar Boa Vista, em Salvador (BA). O evento contou com a participação de Liniker e várias apresentações artístico-culturais dos formandos. Petra Perón foi quem ciceroneou tudo.

O espaço físico que abrangeu essa Trans-Formação foi o Casarão da Diversidade, espaço da ‘Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia’. Fabiane Galvão, uma das formandas, relatou:


“Para mim é uma honra muito grande essa trans-formação. E que ela tenha sempre um recomeço. Quero agradecer pelos debates que instauraram inquietudes por mudanças e levantaram a importância de lutar pelos nossos direitos. Que sejamos todas e todos livres e iguais, e que amemos uns aos outros”.

Direcionamentos

A fim de se estabelecer um norte para fortalecer as capacidades das “pessoas T*”, as oficinas foram divididas em dois eixos. O primeiro, o “Módulo Pessoal”, tinha como objetivo empoderar os alunos. O segundo, potencializava o trabalho destes enquanto lideranças, na busca incessante por direitos.

Jones Carvalho, que é superintendente de Direitos Humanos da SJDHDS, declarou: “Esse evento é muito importante. As pessoas que tentam dividir esse país jamais vão entender a beleza da diversidade. As ameaças estão aumentando, mas precisamos nos unir e juntar forças contra o retrocesso.

É muito importante que a ONU esteja ao nosso lado e que todas as entidades continuem articuladas. Isso não é apenas um certificado. Significa o que vocês fizeram até aqui e o que trouxe todos vocês até esse momento”.

Iniciativa e presenças

O projeto nasceu da campanha da ONU Livres & Iguais, juntamente ao Ministério Público do Trabalho e ao Governo da Bahia, através da ‘Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia’. Tudo isso contou com parceria da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), da ABLGT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexuais), do Coletivo de Trans pra Frente e do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades.

De presenças especiais tivemos Julieta Palmeira (secretária de Política Para Mulheres da Bahia), Angela Pires (Oficial de Direitos Humanos da ONU no Brasil), Lívia Vaz (Promotora de Justiça do MP-BA) e Eva Rodrigues (Defensora Pública), Keila Simpson (presidente da ANTRA e coordenadora do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT da Bahia).

Esta última, discursou logo na abertura do evento: “o curso proporcionou, além de conteúdo formativo, a convivência entre todos e todas através das mentorias realizadas. Agradeço às pessoas que participaram e acreditaram deste momento, que foi uma semente do que ainda virá por aí”.

Symmy Larrat, presidente da ABGLT, complementou: “Não se trata de uma transformação de quem somos, mas de uma transformação da sociedade. É isso que nós desejamos e lutamos. E isso é só o começo”.