Tramas que retratam a vida de pessoas LGBTQ+ nunca foram bem aceitas pelos telespectadores médios brasileiros, principalmente em uma época onde isso era um tabu, como nos anos 80.

Em entrevista para o jornal Extra, a atriz Beth Goulart, que viveu Cíntia, na novela Selva de Pedra (1986), revelou que a “amizade” entre sua personagem e a de Christiane Torloni, Fernanda, foi interferida pela Censura.

Conforme a atriz, logo nos primeiros capítulos da novela, que inclusive está sendo reprisada no canal Viva, as duas já demonstram uma certa intimidade e troca de olhares sensuais.


“Essa foi uma “pimentinha” do diretor Walter Avancini para a relação de amizade das duas personagens, e não era algo que estava na dramaturgia inicial da Janete Clair. Acho que essa pimenta acabou sendo um pouco demais para o que o público estava esperando receber nos anos 80″, relembra Beth.

A mudança sobre a trama das personagens também é informada no site Memórias Globo. Segundo a publicação, a Censura Federal solicitou reformulação nas relações das amigas, além de proibir cenas de amor e diálogo em outros núcleos.

“Na época, essa alteração não foi tão traumática a ponto de ficarmos: ‘Oh, meu Deus, algo foi censurado’. Não tenho bola de cristal, mas se a novela fosse feita hoje em dia, talvez as personagens tivessem uma postura mais assumida”, analisa Beth. A exemplo disso, temos a trama atual de Agno e Leandro, em A Dona do Pedaço.

Após modificações, Selva de Pedra terminou com Fernanda se tornando uma das grandes vilãs da TV brasileira, após ser abandonada no altar. Já Cíntia termina a trama casada com Marcelo (Reinaldo Gonzaga), mesmo achando que ele é interesseiro.