Presidente do Bahia faz discurso sobre inclusão nos estádios
Presidente do Bahia faz discurso sobre inclusão nos estádios (Foto: reprodução)

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, fez um discurso sobre inclusão nos estádios e bradou: “Estádio é lugar de gay, trans e de todos!”. O mandatário do clube participou do quadro Bola da Vez da ESPN. Nesse sentido, aproveitou o ensejo para falar sobre a segregação no meio futebolístico. Confira!

“O que é o estado da Bahia, a cidade de Salvador. Isso vai da característica regional. Nós somos a cidade mais negra do mundo fora da África. Nós somos uma cidade de base indígena muito forte. Uma cidade que se formou de uma presença indígena muito forte, da chegada dos portugueses, da chegada dos negros, e a nossa torcida até hoje reflete isso. Reflete essa riqueza, essa heterogeneidade”.

“Primeiro a gente precisou enfrentar a posição do torcedor na relação com o clube. O movimento de afundamento do Bahia também veio do outro lado de elitização do futebol brasileiro. Foi um movimento que aconteceu mais ou menos ao mesmo tempo. As construções das arenas, o super preço dos ingressos, a limitação de acesso aos estádios pelas pessoas que têm menor poder aquisitivo. E o torcedor do Bahia sofreu muito com isso. A gente via impacto na formação de torcedor, nas gerações que passavam a torcer pro Real Madrid, Barcelona, em vez de torcer para o clube que estava ali”.


“Existem duas estratégias de comunicação. A primeira é muito clara. De dizer ao negro, ao pobre, ao gay, ao indígena, que eles fazem parte da história da cidade do estado da Bahia. E eles precisam fazer parte do clube. Essas pessoas estavam assistindo jogos nos barzinhos da periferia da cidade, ou sequer isso, já não estavam se interessando pelo clube. Quando a gente diz ao gay ‘venha pro estádio, aqui é lugar de gay também’. É lugar de trans, de negro, de índio, de todos”.

“Eu vejo mais indiferença. Parece que é um problema que não pertence ao mundo do futebol. Parece que os desafios sociais, ou econômicos, os desafios de estado do Brasil passam à margem do mundo do futebol. E é impressionante como o estado brasileiro, como ele é configurado, ele tem impacto direto na formação ou na deformação do nosso futebol”, finalizou.