Casais LGBTs
Personagens LGBTs nas novelas (Foto: reprodução/montagem)

É sempre bom ressaltar a importância da representatividade nas telas. Já que a novela narra e recria acontecimentos que permeiam a nossa realidade, seria bem incoerente não acoplar casais LGBTs nas tramas.

A homossexualidade não está desassociada da condição humana. Dito isso, para ser fidedigno à realidade dos fatos, nada mais justo do que trazer LGBTs para arte da forma mais realista possível. Evidentemente que o processo é gradativo, porém, narrativas progressistas vêm ganhando força, o que favorece muito a diversidade em um contexto geral.

Contudo, nem tudo são flores, sempre houve muita resistência em relação aos relacionamentos homoafetivos ou até mesmo a participação de LGBTs nas tramas. Todo este cenário com ares progressistas, já suscitou e ainda suscita polêmicas, ira, tesão e, claro, muito interesse.  


1970- Assim na Terra como no céu

Já com um título provocativo, a novela das 22h abordava temas polêmicos, como consumo de drogas e celibato de padres. Desse modo, o intento era suscitar reflexões pertinentes, recontando os conflitos pertencentes à sociedade carioca, como vandalismo, estupro, assassinato, consumo abusivo de drogas, religião; dentre outros. Do êxtase ao medo, das relações afetivas à política e da fantasia à realidade.

Em resumo, na Ipanema de 1970, o padre Vitor Mariano (Francisco Cuoco) abandona a batina para se casar com a jovem Nívea (Renata Sorrah), mas ela é misteriosamente assassinada.

Escrita por Dias Gomes e dirigida por Walter Campos, em pleno auge de 1970, Ary Fontoura, arriscou sua “boa reputação na sociedade” e entregou-se a um personagem homossexual. Ele incorporou Rodolfo Augusto, um homem de meia idade, costureiro e muito minucioso em todos os aspectos.

Assim, o mais propício, considerando os costumes da sociedade vigente, seria uma chuva de críticas, mas a peculiaridade do personagem, logrou Rodolfo como a figura mais amada e odiada. Desse modo, foi etiquetado de: “a diva de calças baixas”.

1988- Vale Tudo

Na trama de 1988, foi a vez de Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin) quebrarem alguns paradigmas vigentes.

A novela contava com temas picantes e bem atuais, inclusive nos dias de hoje: corrupção e ética, com ênfase na inversão de valores no Brasil na década de 1980. Escrita por Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, a novela contou com um enredo bem provocativo, mas um esboço do real.

Assim, Cecília era irmã de Marco Aurélio (Reginaldo Faria), que, sob nenhuma hipótese, aceitava o relacionamento dela com outra mulher.

Renascer – 1993

Maria Luísa Mendonça tornou-se nacionalmente conhecida após a sua atuação na novela Renascer. Ela interpretava a personagem Buba, que era intersexual, um termo bem pouco utilizado na época.

Assim, sem revelar sua condição, começa a namorar José Venâncio (Taumaturgo Ferreira), o que desencadeia sérios conflitos posteriormente.

1995 – A próxima Vítima

Outro casal que marcou a televisão brasileira foi Jefferson e Sandrinho (Lui Mendes e André Gonçalves).

Ambos interpretavam um namoro adolescente gay. Na real, viviam um romance secreto e não eram assumidos para a família. Depois de um tempo, Sandrinho se sentiu seguro e contou a verdade à mãe, que já desconfiava da relação entre os dois.

2003- Mulheres Apaixonadas

Agora, adentrando uma época um pouco mais atual, impossível não se encantar com Rafaela e Clara, vividas, respectivamente por Paula Picarelli e Alinne Moraes. O relacionamento homoafetivo foi mostrado com doçura, sensualidade e força.

Os deleites e conflitos, propícios de qualquer relação, proporcionaram para ambas um romance genuíno, mas com muitos percalços pairando no ar.

Contudo, a grande decepção foi a tão esperada cena do beijo, que foi substituída por um selinho que ainda causou controversas quanto a veracidade da existência. Muitos alegaram que as bocas das atrizes não se tocaram.

2005- América

A novela América estreava no horário nobre da Globo em 2005. Escrita por Gloria Perez, a trama tratava da vida dos brasileiros que tentavam cruzar a fronteira do México rumo aos EUA.

Assim, um casal que causou barulho pela formidável atuação foi o Junior e o Zeca, interpretados por Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro. Porém, mesmo o casal tendo angariado uma popularidade positiva, a Rede Globo vetou a exibição do beijo entre os dois no último capítulo.

2011- Amor e Revolução

Exibida pelo SBT, a novela contou com um enredo político bem proeminente. Tendo como trilha sonora músicas de Chico Buarque, a arte trouxe à luz, de uma forma envolvente e viciante, o medo que permeou o período repressivo da ditadura.

No auge da repressão, tendo como ponto de partida o cerceamento de liberdade e direitos, a trama denotou amores controversos e conflituosos, e a busca insaciável pela liberdade e democracia.

Assim, um casal emblemático para TV foi protagonizado pela médica Marcela (Luciana Vendramini) e por Marina (Giselle Tigre).

As duas vivenciaram um romance complexo, mas com entrega. Nesse sentido, muitos alegam que o beijo das duas logrou-se como o primeiro beijo lésbico na TV aberta.

2015- Babilônia

A novela dividiu opiniões e mostrou que a paixão é levitação, êxtase e, sobretudo, não estabelece limites de idade. Assim, mostrou o folhetim, através do beijo entre Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg). A cena movimentou as redes sociais.

2019- A Dona do Pedaço

A atriz Glamour Garcia, na trama, Dona do Pedaço, novela de Walcyr Carrasco, interpreta uma travesti. A artista está fazendo sucesso com a personagem Britney. Nesse sentido, em entrevista ao observatório G, chegou a falar sobre a representatividade trans na cena televisa e relatou seus desbravamentos no mundo da TV.