Travis Salway (Reprodução/Youtube)
Travis Salway (Reprodução/Youtube)

Um cientista canadense descobriu que a doença que mais tem matado os LGBTs
do Canadá é a depressão. De acordo com o epidemiologista Travis Salway, os números de mortes por depressão superam as mortes por HIV/Aids.

Em entrevista ao HuffPost US o cientista falou um pouco sobre os desafios que persistentes dentro da comunidade LGBTQ+ e a luta pela igualdade em matéria de saúde, mesmo após tantos avanços com o passar dos anos.

“Fui procurar as estatísticas de suicídio entre homens gays e bissexuais e fiquei assustado ao descobrir como a taxa era alta. Embora os índices de mortalidade por HIV vinham caindo há anos, os de suicídio continuavam estáveis. Quando analisamos os números, descobrimos que, por volta de 2007, as linhas se cruzaram e o suicídio superou o HIV para se tornar a maior causa de mortes. Desde então, a diferença vem crescendo e hoje o suicídio talvez já seja responsável por duas vezes mais mortes que o HIV”, disse Salway.


Para o pesquisador, as taxas altas de mortalidade na comunidade é causada principalmente por conta dos estresses ocorrido durante dia a dia, simplesmente, por ser uma pessoa LGBT. Ações como as de agressões físicas e morais, homofobia velada, entre outras.

“A teoria predominante é a chamada teoria do ‘estresse da minoria’. A ideia é que os membros de minorias sexuais acumulam múltiplos fatores de estresse. Estes incluem coisas visíveis, como agressões físicas e xingamentos dos quais eles são alvo, mas também coisas menos evidentes, como evitar ir a uma festa de família porque você não quer ser obrigado a ter uma conversa constrangedora com seu tio. Mesmo que ninguém chegue a dizê-lo explicitamente, você capta a mensagem de que há algo de errado com você”.

Ainda conforme Salway, uma forma de prevenção seria a implantação de centros de comunitários que façam atendimento de saúde mental, nos mesmos moldes do HIV. “Precisamos adaptar essa infraestrutura à crise que estamos enfrentando hoje. As clínicas de DSTs são lugares onde podemos atender as pessoas antes de elas resvalarem pelas brechas do sistema”.