O jovem foi abusado pelo terapeuta (Ilustrativa)
O jovem foi abusado pelo terapeuta (Ilustrativa)

Nas últimas semanas a plataforma Celina, do Jornal O Globo, publicou um relato completamente chocante de um jovem que sofreu abuso sexual durante o tratamento de “cura gay”, em Belo Horizonte.

Por muito tempo o processo de “cura gay” foi permitido no Brasil. No entanto, desde abril deste ano o tratamento não é mais recomendado. A decisão foi assinada pela Ministra Carmen Lúcia no dia 9 de abril, através do Supremo Tribunal Federal (STF).

No relato, o jovem, identificado como Fábio, contou que foi obrigado a passar pelo tratamento de “regressão sexual” após o pai flagrar ele aos beijos com um amigo. O tratamento virou uma espécie de castigo.


“Fui flagrado por meu pai beijando meu primeiro namorado, aos 16 anos, na sala de casa, em um domingo chuvoso. De outra cidade, o rapaz estava hospedado em nossa casa na condição de amigo. Eu estava apaixonado e me despreocupei. Sempre escutava os passos do meu pai, pesados, atravessando o corredor que levava à sala. Desta vez, no entanto, não escutei. Como castigo, fui obrigado a me “tratar’, depois de ouvir os clássicos ‘preferia filho morto’ e ‘eu era feliz e não sabia'”, disse a publicação.

Durante o tratamento, o rapaz disse que tentou de todas as formas a não se envolver com nada que remetesse a homossexualidade, mas as tentativas não eram o suficiente. Até durante a masturbação ele se forçava a se excitar por mulheres consideradas símbolos sexuais.

Ao me masturbar, por exemplo, forçava o pensamento nos seios da Feiticeira, mas minha cabeça sempre terminava no tanquinho dos Gêmeos Flávio e Gustavo, por quem eu me excitava de verdade”, disse.

Depois de tempos lutando contra seus instintos naturais, Fábio cansou e tentou viver bem com sua homossexualidade. Ao confessar o novo objetivo para seu terapeuta, o jovem relatou que acabou sendo abusado sexualmente.

“Em um dos encontros com o terapeuta, depois de compartilhar meu novo objetivo, recebi o inusitado convite para sentar em seu colo. A porta da sala estava fechada. Não havia testemunhas, muito menos câmeras. No auge da puberdade, me senti atraído pela situação e não hesitei em acatar o chamado. Aos elogios, esse senhor, grisalho, menor que eu, e com idade para ser meu pai, pediu para eu abrir a braguilha”.