Damares Alves
Damares Alves (Foto: reprodução)

Damares Alves voltou a incendiar os noticiários. Desta vez, em audiência pública da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher realizada nesta terça-feira (16) na Câmara dos Deputados. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que, dentro de sua concepção cristã, “a mulher sim, no casamento, é submissa ao homem”, ressaltando que isso é “uma questão de fé”.

Contudo, o tema surgiu quando a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) a questionou.“A senhora defende que a mulher seja submissa no casamento?” Damares respondeu que dentro da igreja, “o homem é o líder do casamento”.

Neste mesmo sentido, “eu quero dizer que todas as mulheres têm que ser submissas? Baixarem a cabeça para o patrão, para o agressor, para os homens que estão aí? Não. Mas dentro da minha concepção cristã, a mulher, sim, no casamento, é submissa ao homem, e isso é uma questão de fé”.


Submissão

Este termo é sempre motivo de controvérsia. Afinal, a emancipação feminina,
em especial o próprio modelo do feminismo, pode ser calcada pela luta feminina, pela reivindicação das mulheres de uma forma geral por diretos iguais, pela bandeira da igualdade entre homens e mulheres. Neste sentido, ressaltar uma submissão das mulheres em relação ao homem, denota um retrocesso inominável.

Não obstante, defende-se que, a submissão do ponto de vista bíblico não é “abaixar a cabeça para tudo”.
Submeter-nos à soberania de Cristo é um dos aspecto centrais do Cristianismo. A Bíblia diz em Lucas 14:27 “Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.” A Bíblia diz em 1 Coríntios 11:3 “Quero porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.”
A submissão bíblica seria um sinal de igualdade baseado no amor. A Bíblia diz em Efésios 5:21 “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.”

Neste contexto interpretativo supracitado, o marido, tal qual como Cristo diante de Sua igreja, deve ser o líder do lar; o cabeça. Contudo, há incongruências nisso, o “cabeça da família” deveria ser aquele cuja cabeça seja menos perturbada. Se o marido for um imbecil, como ser o líder da casa?

O discurso da Ministra pode representar perigo às mulheres?

Um lar que segue preceitos tradicionais e conservadores, mas que tem como cerne o respeito mútuo está tudo bem, o discurso não representa perigo. Existem muitas famílias harmoniosas e maduras que seguem estes preceitos. Contudo, insistir e incentivar a ideia de submissão e sujeição pode ser perigoso em muitos casos.

O número exorbitante de violência contra mulheres em ambientes domésticos e laborativos é alarmante. Neste contexto, muitas mulheres são vítimas justamente deste poder de dominação do parceiro. “O amor” que se revela como desejo de posse. Neste sentido, aquele que “ama” quer ter um poder absoluto tanto sobre alma e pensamento, como sobre o corpo.

Assim, chegar em uma audiência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e incentivar esta ideia, por mais que seja um posicionamento particular, é irresponsável.