Michelle e Jair Bolsonaro fazem o sinal de “Eu te Amo”, em Libras.
Michelle e Jair Bolsonaro fazem o sinal de “Eu te Amo”, em Libras. (Foto: reprodução)

Dizem que, hegemonicamente, a esquerda dita as regras nas escolas sobre o que pode ser ou não dito e ensinado, mas parece que não é bem assim.
Um professor de geografia, que não foi identificado, foi demitido nesta quarta-feira (17) de uma Escola particular em São José dos Campos (SP), após criticar o Governo do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL) em sala de aula.

Evidentemente que, o vídeo viralizou e os pais dos alunos pediram uma posição da escola. Na aula, o orientador faz críticas ao presidente, às políticas de governo e até à primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O fato consumou-se numa sala de ensino médio do colégio.

Neste sentido, as críticas foram incisivas. “Estamos vivendo um momento em que colocaram um imbecil lá que quer que preto, pobre, mulher, gay e transexual, o que for, se ferre”.


O docente também apontou hipocrisia no discurso da primeira-dama, que, segundo ela, é uma defensora implacável dos direitos do surdos. Contudo, o dono da cátedra,
se diz aberto à discussão e colóquio com os alunos.

O que diz a escola

Em nota, a escola enfatiza a importância da pluralidade de ideias. Contudo, é ditado aos professores que não emitam suas opiniões políticas-partidárias, para evitar interpretações errôneas em relação aos posicionamentos pessoais e conteúdo escolar. Salienta também a importância do vocabulário adequado em aula.

A instituição ainda deixou claro que a demissão do docente não foi pelo seu posicionamento pessoal, mas sim por zelar pelas regras da escola.

O aluno sofrerá uma punição por estar portando celular em aula, algo expressamente proibido. A escola ainda informou que não apoia nenhuma atitude, cujo objetivo seja cercear as atividades do professor.

Um funcionário da instituição que não quis se identificar afirmou que desde o ano passado a escola sofre ataques de pais de alunos por conta das eleições e que ao saberem da história, pediram “a cabeça do professor”.

Outro caso recente

Recentemente, Um professor do colégio Liceu de Humanidades de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio, foi afastado após utilizar uma charge satirizando a relação de Jair Bolsonaro com o presidente americano, Donald Trump. Na imagem, os dois aparecem com uma compleição cômica e  gestos de afetividade na cama. O professor planeava desenvolver uma atividade com 3º ano do ensino médio, cujo intento era que os alunos identificassem elementos de humor e ironia.

Estes casos trazem à luz a liberdade de expressão e de cátedra que, obviamente, não são absolutas e não abarcam a propagação de discursos atrozes e notícias falsas. Contudo, não pode suprimir um docente de emitir seus pensamentos e suscitar reflexões relevantes em aula.

Confira o vídeo