Bolsonaro e Abraham Weintraub (Foto: reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro deu uma declaração controversa no Twitter. Afirmou, na sexta-feira (26), que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, “estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas)”.

Segundo o presidente, o principal intento, será preparar os jovens para profissões que possam gerar riquezas. “A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”, escreveu Jair Bolsonaro.

As opiniões de dividiram: Os adeptos do “marxismo cultural presente em tudo”, adoraram a medida e ainda anseiam que ela seja mais abrangente e contemple cursos de pedagogia e Direito. Para eles, o decálogo de Lênin e Marx é passado hegemonicamente nos cursos de humanas. Neste sentido, esta suposta “predominância esquerdista”, corrobora para estas “mudança nos valores”. É importante lembrar que a sociedade se transforma, ou seja, não dá para qualificar qualquer mudança social como fruto de um marxismo inveterado.


Todavia, no contraditório, outros internautas já enfatizaram a importância do investimento em todas as áreas, sem distinção. Inclusive, revelaram correntes plurais que aprenderam em aula. Neste contexto, que seja incentivada a pluralidade de ideias e o colóquio em sala.  Seja com o polêmico Marx; ou teórico liberal como Adam Smith; John Locke, o pai do liberalismo. E Até o considerado “pai” do tão criticado conservadorismo: Edmund Burke; ou a controversa Ayn Rand... Só ler e extrair o que for essencial e dispensar o que não for. Extremistas e “rebeldes sem causa” costumam criticar tudo o que não consone com o seus pensamentos, mas eles não merecem atenção.

A Filosofia

Ademais, a filosofia tem um papel imprescindível em estabelecer critérios para o conhecimento, incentivar o pensamento crítico e, sobretudo, fugir das amarras ditadas pelo senso comum.

Existe um excerto de Deleuze não tecnicista, mas subjetivo, sobre filosofia que sintetiza tudo. “Quando alguém pergunta para que serve a filosofia, a resposta deve ser agressiva, visto que a pergunta pretende-se irônica e mordaz. A filosofia não serve nem ao Estado, nem à Igreja, que têm outras preocupações. Não serve a nenhum poder estabelecido. A filosofia serve para entristecer. Uma filosofia que não entristece a ninguém e não contraria ninguém, não é uma filosofia. A filosofia serve para prejudicar a tolice, faz da tolice algo de vergonhoso. Não tem outra serventia a não ser a seguinte: denunciar a baixeza do pensamento sob todas as suas formas. Existe alguma disciplina, além da filosofia, que se proponha a criticar todas as mistificações, quaisquer que sejam sua fonte e seu objetivo? Denunciar todas as ficções sem as quais as forças reativas não prevaleceriam. Denunciar, na mistificação, essa mistura de baixeza e tolice que forma tão bem a espantosa cumplicidade das vítimas e dos algozes. Fazer, enfim, do pensamento algo agressivo, ativo, afirmativo. Fazer homens livres, isto é, homens que não confundam os fins da cultura com o proveito do Estado, da moral, da religião…”(Deleuze, “Nietzsche e a filosofia”, 1987, p. 87).

Repúdio

Segundo o correiobraziliense, a Sociedade Brasileira de Sociologia criticou as declarações do presidente, afirmando que, certamente, as áreas de veterinária, engenharia, medicina são fundamentais para o desenvolvimento social e econômico do país. Mas disse que é importante dizer que as áreas de humanas têm “uma longa trajetória na história do conhecimento, elaborada em várias universidades espalhadas em diferentes partes do mundo e são igualmente importantes para a construção de um país moderno, desenvolvido e mais solidário”.

“A sociologia é uma ciência como as demais que integram esta modalidade específica de conhecimento, apartada de noções do senso comum. Está presente em praticamente todos os países com universidades e fornece contribuições relevantes nesses lugares”.