FELIX LIMA/ BBC NEWS BRASIL
(Foto FELIX LIMA/ BBC NEWS BRASIL)

A segregação é uma realidade atroz nos presídios. Evidentemente que, ressaltar isto, não é o mesmo que inocentar ou dirimir a culpa de um contraventor, óbvio que um apenado deve, depois de sentenciado, cumprir sua pena, mas tendo acesso ao básico para subsistência e seus direitos resguardados.

A entrevista para a BBC News Brasil é considerada por elas um “dia de princesa”. Uma das raras oportunidades em que elas podem passar maquiagem e ficar “montadas”.

Mas a realidade nos raios – conjuntos de celas – do CDP, na zona oeste de São Paulo, é bem diferente.


A dez grades da calçada da marginal Pinheiros, a população LGBT carcerária enfrenta variadas discriminações. Um gay, por exemplo, não pode tomar água no mesmo copo do que um hétero ou usar o mesmo prato. Também não pode dividir o mesmo cigarro. Até mesmo encostar na vassoura usada para varrer o pátio do presídio é visto como um insulto pelos outros presos. As regras são rígidas e suas justificativas são munidas de preconceito e estupidez.

“É machismo da parte deles. Um preconceito bobo. Acham que o homossexual pratica sexo oral e são pessoas que não têm um certo cuidado. Eles pensam: ‘Vai que você praticou um sexo oral e eu vou dividir um cigarro com você. Eu vou estar fazer um sexo oral de tabela’. É esse tipo de pensamento”, explica Leonel da Silva Lopes, a Léia, que cumpre pena por furto e estelionato.

Como é ser LGBT em um presídio masculino?

Durante mais de três horas, as três relataram com franqueza a realidade de um LGBT encarcerado. E resumem: “é ser o excluído entre os excluídos”. A entrada da reportagem da BBC News Brasil no presídio foi autorizada pela Justiça. A visita foi acompanhada pela diretora de saúde da unidade, uma assessora de imprensa e agentes penitenciários.

Léa que já esteve em recintos comandados pelo PCC, relata. “A gente tinha que costurar, arrumar a cela. Nunca me oprimiram ou bateram, mas eu sentia preconceito por parte deles”, conta.

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