nany people
A atriz Nany People (Foto: Marcos Guimarães/Divulgação)

Na quarta-feira (16), o IG Gente publicou uma entrevista exclusiva com Nany People, que atualmente está vivendo Marcos Paulo, em O Sétimo Guardião. A atriz respondeu perguntas que tratam desde sua carreira artística, até o que pretende fazer futuramente. No meio do caminho, ainda comentou sobre como lida com a fama e seus pensamentos sobre a situação política atual no Brasil.

Perguntada sobre o que pensa sobre esses 33 anos de carreira, Nany People logo corrigiu: são 43 anos. “Comecei com 10 em Poços de Caldas, Minas, e não parei mais. Olho para trás e vejo que realmente fui muito feliz na escolha que tive de fazer — até por intuição — de seguir a carreira artística. Vejo o caminho percorrido como de muita sorte, muitas alegrias e muitas conquistas. Ter conseguido viver de arte no Brasil foi realmente um ato de fé, porque sou do sul de Minas e de uma região onde o pessoal não consome teatro”.

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‘O Sétimo Guardião’

O desafio de ser atriz em novela pela primeira vez foi amaciado pela receptividade dos colegas de trabalho de Nany. “Confesso que senti dificuldade no começo por achar que estava sendo muito teatral em alguns tons”, começou. “O núcleo que eu estou é maravilhoso! Foram quase dois meses de ensaios, workshops, leituras e convivência. No primeiro dia que fui encontrar a Lília, falei: ‘não sei se acendo uma vela, se rezo uma missa, se chamo o Samu ou se pego um copo de água doce’. E ela falou assim: ‘me dá um abraço’. Fui muito bem recebida por todos.”

O destaque, inclusive, vai para a química existente entre Nany People e Lília Cabral, com quem contracena repetidas vezes. “Nossa química é uma coisa de naturalidade, a gente realmente se diverte fazendo. Primeiro porque é bem humorada e segundo porque é uma atriz muito madura. Um ser humano incrível! Com ela o trabalho se torna mais humanizado. Já estou muito feliz por ter caído nesse núcleo, com a obra maravilhosa do Aguinaldo Silva. Estou muito feliz!”

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Diversidade

Ao tocar no assunto da diversidade, Nany People chamou atenção para a atuação da indústria em relação ao consumo do pink money. “A indústria está realmente evoluindo muito nessa questão. Mas apesar de o fenômeno Pabllo Vittar ter feito propaganda da Coca-Cola, da Avon, muitos editoriais de moda e estampado algumas capas de revistas, as empresas são muito ranzinzas. Se consome o pink money, mas não se investe na publicidade do pink money. Você vê um expoente ou outro: como o comercial da Boticário, que foi lindo, mas aí vem um monte de extremista falar: ‘onde já se viu um comercial desse’. Acho que tinha que ousar mais, mas caminhamos muito, sim, viu, caminhamos bastante.”

“Não cheguei aos 53 anos de idade sendo transexual com trabalho em rede nacional em vão”

De acordo com Nany, seu envolvimento na política é transformado por meio do trabalho e a liberdade de ser quem é. “Quando entrei para a novela fizeram uma pergunta, que deu muito pano pra manga: ‘você pretende militar em cena?’. Falei: ‘não. O que é militar para você? Estou sendo contratada para atuar. Militar eu milito na vida!’. Não cheguei aos 53 anos de idade sendo transexual com trabalho em rede nacional em vão. Fui criada, gerada, educada e gestada em um tempo que o que queria fazer não era crível, não era permissivo, não era legal e não era viável. Mas sempre quebrei o ‘não’ com um ‘por que não?’. Sempre impus o respeito através do meu trabalho. E o que não suporto é essa cobrança rançosa (um ranço que tenho, sabe?) desse pessoal — seja de extrema direita ou de extrema esquerda. Qualquer extremidade limita!”

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Futuro

Por enquanto, a atriz garante que seu compromisso total é voltado para a novela das 21h, da Rede Globo. No entanto, há projetos para depois que O Sétimo Guardião acabar. “Gravo a novela até maio. Até lá, a minha prioridade é o Marcos Paulo Pianowski. Mas já tenho certo e objetivado que vou voltar no segundo semestre com Caros Ouvintes. Tenho também a sequência de agenda para fazer meus solos pelo país afora: TsuNany, Minhas Verdades, De Boca Cheia e 3 em 1. Além disso, o projeto de uma peça muito divertida de um produtor carioca, que ainda depende da captação de recursos. Se acontecer, devo emendar com mais esse trabalho. No mais, assistam O Sétimo Guardião, tenham temperança, resiliência e digam sim para a vida, que ela sempre vai dizer sim para vocês!”