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UFMG debate vivência trans durante Festival de Verão (Foto: Divulgação)

De 11 a 14 de fevereiro, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realiza a décima terceira edição do Festival de Verão, este ano com o tema Desaplanando Horizontes. Na quinta-feira, último dia do evento, ocorre o debate Diálogos sobre o direito à diferença na universidade. A intenção é debater a vivência trans nas dependências do campus universitário.

O filósofo e professor da Faculdade de Educação (FaE) da UFMG, Paulo Henrique Nogueira, comentou a importância do tema. “São poucos os estudantes identificados como transexuais na UFMG. Mas suas trajetórias, de tão singulares, torna muito significativa a questão dos universitários com esse perfil.”

De acordo com o site oficial da Universidade, Paulo Nogueira participará como conferencista do ciclo de debates Transvivência. Atuante no Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (NUH), o professor irá apresentar detalhes da pesquisa A presença de pessoas trans na UFMG: perspectivas interpessoais e institucionais. O estudo é de sua autoria e ainda está em andamento.


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Utilizando uma metodologia chamada bola de neve, o professor chegou ao número de 30 alunos entrevistados. Foi aplicado um questionário socioeconômico e, posteriormente, traçado o perfil demográfico dos estudantes transexuais. Uma das conclusões afirma que a maioria dos entrevistados não é beneficiária da assistência estudantil. “Isso sinaliza que a Universidade pode se dedicar a políticas específicas, que levem em conta o combate a transfobia e à plena inserção desses jovens na vida acadêmica”, explicou Paulo Nogueira.

Ao fim da pesquisa, ele pretende propor ações de combate à transfobia na Universidade. Dessa forma, a vivência trans no ambiente universitário deve ser facilitado. Entretanto, Paulo Henrique Nogueira não é o único a participar do debate.

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Representatividade

O evento conta, ainda, com a participação da servidora técnico-administrativa Samara Gabi Pimenta, que trabalha no Setor de Tecnologia da Informação (STI) da Escola de Engenharia. Ela é a única servidora transexual da UFMG, e seu processo de transição começou em meados de 2017. Na ocasião, Samara irá relatar sua experiência e refletir sobre políticas que facilitem a transição, de forma a tornar a experiência menos traumática.

“Quando me assumi como transexual, fui vítima de piadas homofóbicas, feitas por colegas de trabalho. Desde então, tenho reconstruído minhas relações”, contou a servidora. Em sua opinião, as ações da UFMG de combate ao preconceito ainda estão engatinhando. “A evolução, nesse sentido, está apenas começando. A Universidade está aprendendo com seus próprios erros, mas o caminho ainda é longo.”