Luccino e Otávio se beijaram em Orgulho e Paixão
Luccino e Otávio se beijaram em Orgulho e Paixão (Reprodução/TV Globo)

O beijo gay entre Luccino e Otávio, em Orgulho e Paixão, no ano passado, venceu o Prêmio Gshow, na categoria Cena do Ano. O troféu condecora os destaques da programação do ano na Globo.

No Instagram, Pedro Henrique Müller, intérprete do militar, agradeceu o público por ter eleito o momento através de votação popular. “Acabou de chegar aqui o troféu de cena do ano da gshow. E ele é muito significativo pra mim, porque sei o tanto de gente que votou na nossa cena. Acompanhei a mobilização toda no twitter pra que a gente ganhasse. São muitos os que se sentiram representados com a nossa novela”, escreveu.

O ator ainda falou da importância de uma trama como essa para a representatividade LGBT. “Eu cresci sem nenhuma referência de relacionamentos LGBTQIA+ na televisão. Não sabia que eram uma possibilidade porque esses relacionamentos não faziam parte das histórias que eu acompanhava. Os casais LGBTQIA+ tinham tramas quase sempre nulas e seus relacionamentos eram sempre muito secretos, conflituosos, problemáticos, isso quando abordados. Se não eram bem recebidos, as personagens logo morriam tragicamente em explosões de shoppings ou se transformavam em heterossexuais”, alfinetou.


“Estavam curados, prontos pra serem reintegrados socialmente. Se fosse aquele adolescente que acompanhava essas histórias e me deparasse com as cenas de Luccino e Otávio, tenho certeza que eu também iria ficar votando enlouquecidamente pra que ganhassem o prêmio.”, continuou.

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Representatividade

“Chorei de alegria em saber que teria oportunidade de contar uma história que daria tudo pra assistir quando mais novo. Uma história de amor, de descoberta de afetos, carinho e cuidado. Teria me ajudado tanto! Teria ajudado a me entender, a conhecer a mim mesmo e ver que tudo bem em gostar do mesmo gênero. Tudo que a gente precisa nesse período tão turvo, tão violento com as minorias.

Que a gente se aproxime de histórias LGBTQIA+, para que elas façam parte do nosso imaginário, do nosso cotidiano, que elas estejam presentes. Componham nossas subjetividades, para que sejam histórias possíveis, próximas e não distantes. Nossas histórias existem, nós existimos e queremos nos ver representados na TV, teatro, cinema, revistas, jornais, publicidade. É sobre nossas vidas, é sobre o nosso existir no mundo. E isso é muito importante! Para que a gente possa viver. É sobre permanecermos vivos. Esse prêmio é sobre isso, pra mim, e por isso ele é o maior de todos”, finalizou.

A cena do beijo entre o casal “Lutávio” interpretada por Müller e Juliano Laham entrou para a história da TV brasileira por ser a primeira que foi ao ar no horário das 18h, desde o lançamento do horário em 1971.

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Oba! Acabou de chegar aqui o troféu de cena do ano da @gshow. E ele é muito significativo pra mim, porque sei o tanto de gente que votou na nossa cena. Acompanhei a mobilização toda no twitter pra que a gente ganhasse. São muitos os que se sentiram representados com a nossa novela. Eu cresci sem nenhuma referência de relacionamentos LGBTQIA+ na televisão. Não sabia que eram uma possibilidade porque esses relacionamentos não faziam parte das histórias que eu acompanhava. Os casais LGBTQIA+ tinham tramas quase sempre nulas e seus relacionamentos eram sempre muito secretos, conflituosos, problemáticos, isso quando abordados. Se não eram bem recebidos, as personagens logo morriam tragicamente em explosões de shoppings ou se transformavam em heterossexuais. Ufa. Estavam curados, prontos pra serem reintegrados socialmente. Se eu fosse aquele mesmo adolescente que acompanhava essas histórias e me deparasse com as cenas de Luccino e Otávio em Orgulho e Paixão, eu tenho certeza que eu também iria ficar votando enlouquecidamente pra que ganhassem o prêmio de Cena do Ano. Eu chorei de alegria em saber que teria a oportunidade de contar uma história que eu daria tudo pra assistir quando era mais novo. Uma história de amor, de descoberta de afetos, carinho e cuidado. Teria me ajudado tanto! Teria ajudado a me entender, a conhecer a mim mesmo e ver que tava tudo bem em gostar de alguém do mesmo gênero. Que é a mesma coisa que gostar de alguém de outro gênero. Nao muda absolutamente nada. Nada! Tudo que a gente precisa nesse período tão turvo, tão violento com as minorias. Que a gente se aproxime de histórias LGBTQIA+, para que elas façam parte do nosso imaginário, do nosso cotidiano, que elas estejam presentes, componham nossas subjetividades, para que sejam histórias possíveis, próximas e não distantes. Nossas histórias existem, nós existimos e queremos nos ver representados na TV, no teatro, no cinema, nas revistas, nos jornais, na publicidade. É sobre nossas vidas, é sobre o nosso existir no mundo. E isso é muito importante! Para que a gente possa viver. É sobre permanecermos vivos. Esse prêmio é sobre isso, pra mim, e por isso ele é o maior de todos

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