O jogador Igor Julião (Foto: Marcio Alves/Reprodução)

Igor Julião (24), demonstrou ter um perfil diferente do clichê jogador de futebol. O atleta recebeu O Globo em sua casa que, pelo visto, é decorada com referências à mexicana que se tornou um ícone do feminismo, Frida Kahlo.

Há pouco mais de uma semana, o jogador do Fluminense chocou a internet. O motivo foi uma foto de Igor voltando de metrô da partida do time carioca contra o América-MG. Sobre o episódio, ele achou graça mas questionou o porquê da repercussão. “É bizarro o foco não ter sido sobre eu não ter ido de carro ao estádio com medo de quebrarem ou alguém ser agredido. Deixei minha família em casa por segurança. Por mais que estivesse confiante, não sabia qual seria o resultado”, afirmou.

Ao mesmo tempo, não deixou de brincar. “Igor Julião é visto no metrô” é o novo “Caetano estaciona o carro no Leblon”, fazendo referência ao título de uma matéria que virou meme.

Homofobia e machismo


Colocando todo seu pensamento crítico para debate, Igor comentou sobre sua percepção em relação à cultura do futebol.”É um lugar extremamente hostil para alguém da comunidade (LGBTQ+) ou uma mulher trabalharem. E não adianta eu brigar com as pessoas porque essa é a mentalidade do meio. Na posição em que estou hoje não vale a pena comprar uma briga dessas”, comentou o jogador.

“Falo por conhecer pessoas que são homossexuais e não podem se assumir com medo de perder o emprego e da torcida. Seja jogador ou outras pessoas que trabalham no futebol”, continuou. “Triste isso, né?”.

Durante o período eleitoral deste ano, Igor Julião foi eleitor declarado de Fernando Haddad, indo na contramão da maioria de seus companheiros de esporte e time. Na votação dos dois turnos, o jogador foi à urna vestindo uma camiseta com o rosto de Marielle Franco. “Usei a camisa da Marielle porque representa algo importante para mim. Mas não entrei em discussão com nenhum jogador. Cada um vota em quem quiser”, opinou.