Victor Chagas ISP
Victor Chagas, organizador do Dossiê LGBT+, no lançamento do relatório (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1/Reprodução)

O Instituto de Segurança Pública (ISP) do RJ divulgou, nesta segunda-feira (10), o chamado Dossiê LGBT+. No documento, estão os dados e detalhes referentes às vítimas de LGBTfobia no Estado. Além do ISP, o lançamento também foi fruto do trabalho da Coordenadoria de Diversidade Sexual, da Casa Civil da Prefeitura do Rio.

De acordo com o G1, casos de injúria, ofensas e difamação estão entre as agressões mais comuns relatadas por vítimas de discriminação. Foram 417 casos registrados em 2017, dentre eles: 51,4% eram de violência moral (injúria e difamação); 22,7% foram violência física (lesão corporal dolosa); 22,7%, violência psicológica (ameaças).

Os dados do Dossiê LGBT+ revelam que 59,6% dos casos foram relatados por vítima masculina e branca (54,8%). É destacado, ao mesmo tempo, que 40% das ocorrências foram registradas por jovens de 18 a 29 anos.


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A subnotificação

De acordo com Victor Chagas, o medo na hora de denunciar crimes de LGBTfobia é recorrente. “Foram quatro meses analisando os registros da Polícia Civil e tentando identificar os casos em que a motivação para os crimes era a vítima ser LGBT. Nem todas dizem isso claramente, nem todos os policiais atentavam para a questão de gênero na hora do registro”, contou o organizador do dossiê.

Quando a vítima teme realizar a denúncia ou, por algum outro motivo, o registro não é feito com ênfase na motivação do crime, ocorre a subnotificação dos casos. Dessa forma, o trabalho de organizar um documento como esse é bastante meticuloso.

“Muitos casos foram identificados graças ao uso de palavras-chave comuns no grupo. Esperamos que esse seja o primeiro dossiê oficial de muitos, que deem visibilidade a esse tipo de violência e norteiem a criação de políticas públicas. Sem estatísticas sérias e oficiais, essas políticas não acontecem”, afirmou Victor Chagas.

Ainda de acordo com o relatório, a maioria dos casos de agressão (43,4%) ocorre em ambiente familiar. Em 55% das ocorrências, a vítima conhece o agressor.