A vereadora Marielle Franco e a arquiteta Monica Tereza Benício
A vereadora Marielle Franco e a arquiteta Monica Tereza Benício (Foto: Reprodução/TV Globo)

Há oito meses Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, eram brutalmente assassinado no centro do Rio. Em entrevista a “DW Brasil”, a viúva da vereadora Mônica Benício fez um balanço sobre as mudanças na sua vida. Como consequência do trágico episódio ainda sem solução.

Apesar da falta de respostas, ela acredita que em algum momento os responsáveis serão apontados. “Eu não tenho a menor dúvida de que a resposta virá, porque o Brasil, hoje, deve satisfação ao mundo. A preocupação, inclusive, é que entreguem a pessoa correta”, ressaltou.

Monica acredita que se o caso seja levado para a instância federal a investigação correrá mais rápido. “A essa altura do campeonato, não tínhamos mais que estar discutindo que instância de Poder vai investigar. Deveria haver uma força-tarefa nesse sentido. O que a gente vê é uma briga de egos entre Poderes para saber quem vai fazer. Eu me coloco a favor da federalização porque é a única forma de ter algum lampejo para chegarmos à resolução desse caso.”


Questionada sobre o fato de Rodrigo Amorim e Witzel terem rasgado a placa em homenagem à parlamentar, Benício disse receber a notícia com choque. “Eu me recusei a acreditar. Todas as vezes em que alguém produz notícias falsas, deixa Bolsonaro chegar ao poder ou apoia discurso de ódio mata novamente a Marielle”, disparou.

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Ataques

Mônica ainda contou que recebe muitas represálias na rua.Como resultado do discurso de ódio impetrado pelos políticos candidatos das últimas eleições. “No período eleitoral, piorou um pouco. Pessoas que eram a favor do Bolsonaro se sentiram legitimadas para reproduzir discurso de ódio e violência presentes em suas falas”, disse.

“A população LGBT sofreu muito, não só por agressões físicas, mas também agressões verbais e morte. […] Os xingamentos a mim na rua aumentaram consideravelmente. Tenho uma série de filtros nas minhas redes sociais para evitar ataques de haters”, contou.

Mulheres negras no poder

A viúva de Marielle ainda se mostrou otimista pelo fato de novas mulheres negras terem sido eleitas nas últimas eleições. “Sem dúvidas, foi a resposta mais bonita que o 14 de março poderia ter. A gente respondeu, na urna.”

“Não é uma resposta de violência, que reproduz discurso de ódio, nem essa política velha que não nos representa. A Marielle defendia uma política pautada no afeto, construída com as pessoas e para elas”, declarou.