Um questionário do grupamento de mergulhadores, espécie de tropa de choque da Marinha brasileira, causou polêmica ao indagar os candidatos se eles já tiveram algum envolvimento com “homossexualismo”.

Ainda, a pergunta é feita ao lado de outros questionamentos, como se os postulantes à função já roubaram ou se envolveram em demais atitudes criminosas, deixando implícito, pois, que ser homossexual pode ser considerada uma atitude ilícita para a corporação.

A denúncia foi feita por um homem, que pediu para não ter a identidade revelada, por medo de sofrer represálias. O mesmo teve que preencher o relatório quando convocado para servir ao Grumec e ficou chocado ao presenciar o questionamento sobre “homossexualismo”.


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Reportagem do site “The Intercept”, alega que a Marinha negou em um primeiro momento o formulário homofóbico, mas em seguida admitiu que o questionário já foi usado, “no passado”.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a corporação disse que o processo seletivo para servir em determinadas áreas tem avaliações psicológicas e físicas, mas também afirmou desconhecer o formulário e disse rejeitar “o uso de qualquer papeleta de admissão para a atividade, muito menos om questionamentos sobre ‘opção sexual’”.

Questionário da tropa de elite da Marinha associa “homossexualismo” a práticas criminosas

Após insistência da reportagem, a Marinha enfim admitiu que o modelo apresentado é “desatualizado”, utilizado “à época”, “internamente para o credenciamento de segurança”.

“O referido questionário não faz parte do processo seletivo para militares servirem no Grupamento de Mergulhadores de Combate”, bem como não está em vigor naquela organização militar ou em qualquer outra da Marinha”, disse.

Por fim, a corporação não respondeu o que acontecia com um recruta que assinalasse “sim” para a pergunta a respeito de já ter mantido relações homossexuais, ou de agiotagem, ou furto, já que estavam todos os termos na mesma pergunta.

Em tempo, é oportuno ressaltar que o termo “homossexualismo” pode ser configurado como uma ofensa criminosa e desdenhosa à orientação sexual de outrem, uma vez que o termo foi proibido pela Organização Mundial da Saúde, tendo em vista que o sufixo “ismo” arremete à doença.