A ariz trans Jamie Clayton
A ariz trans Jamie Clayton (Foto: Reprodução/Divulgação)

A organização LGBT GLAAD e a iniciativa de representação igualitária 5050by2020 divulgou uma carta aberta assinada também por produtoras de grandes nomes da industria do entretenimento, pedindo para que Hollywood crie formas com que aumentem a participação de atores transgêneros em seus filmes.

A discussão veio à tona, após a repercussão negativa que se criou ao ser divulgado que a atriz Scarlett Johansson interpretaria uma mulher trans no longe “Rub & Tug”, que narra a história de um homem trans na década de 1970, e fez com que a famosa desistisse do papel.

No documento, intitulado “TRANSform Hollywood”, apoiado pelas principais agências de talentos CAA, UTA e WME, elenca vários trabalhos feitos para a TV e o cinema que ajudaram a desmistificar esterótipos em torno de gays e lésbicas, e agora seria a vez das pessoas trans também se virem representadas. Produtores como Ryan Murphy, Judd Apatow, Shonda Rhimes e Greg Berlanti. Jill Soloway e JJ Abrams apoiam a ação.


“Como pessoas trans, crescemos vendo histórias contadas sobre nós por pessoas que não fizeram o dever de casa quando se trata da comunidade trans. Nós fomos retratados quase exclusivamente como vítimas trágicas, assassinos psicóticos em estereótipos unidimensionais. 

Fomos confundidos com drag queens, vimos nossa história apagada em filmes históricos e fomos ridicularizados por expressões de gênero que não se conformam às normas sociais”, acusa o texto.

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A carta pede então que os estúdios passem a olhar as pessoas trans como prováveis agentes para interpretar esses papéis majoritariamente assumidos por atores cisgêneros e capacitar estes artistas. “Estamos pedindo para termos nossas existências levadas em consideração, para que nosso conhecimento, talento e histórias possam ajudar a melhorar seu trabalho e aumentar seu valor”, concluiu.

Um manual dedicado a criativos também foi produzido e divulgado com o intuituo de fornecer “informações sobre como encontrar atores trans e transmitir papéis trans autenticamente, conselhos sobre como se envolver com criadores trans treinados e experientes à medida que você desenvolve seu trabalho, sugestões sobre onde encontrar projetos criados por pessoas trans que você pode desenvolver para cinema e televisão [e] dicas sobre como tornar todo o seu trabalho mais trans-inclusivo.”

Leia a carta aberta na íntegra:

 “Hollywood conta as histórias que ajudam as pessoas a entender como se sentem sobre si mesmos e como se sente sobre as pessoas ao seu redor que são diferentes. Como Roger Ebert disse, o cinema é uma máquina de empatia.

Sabemos que projetos como Ellen, Will & Grace, Brokeback Mountain, Milk e Moonlight ajudaram a destruir os estereótipos sobre gays e lésbicas, e ajudaram a acelerar conquistas como o casamento igualitário.

Recentemente, mulheres e pessoas negras também deixaram claro que querem mais histórias autênticas sobre suas vidas em filmes e na TV. As pessoas trans sentem o mesmo.

Somos gratos que Hollywood está começando a abraçar esses inúmeros pontos de vista. Também sabemos que algumas pessoas sentem que estamos sendo excessivamente sensíveis sobre como exatamente essas histórias trans são desenvolvidas e contadas.

Como pessoas trans, crescemos vendo histórias contadas sobre nós por pessoas que não fizeram o dever de casa quando se trata da comunidade trans. Nós fomos retratados quase exclusivamente como vítimas trágicas, assassinos psicóticos em estereótipos unidimensionais.

Fomos confundidos com drag queens, vimos nossa história apagada em filmes históricos e fomos ridicularizados por expressões de gênero que não se conformam às normas sociais.

Acreditamos que estamos em um momento cultural sem precedentes – um momento em que podemos pedir a Hollywood que use seu poder para melhorar a vida das pessoas trans, mudando a compreensão dos Estados Unidos sobre quem são as pessoas trans. Queremos ajudá-lo a contar nossas histórias – e precisamos da sua ajuda para isso.

Isso é mais do que diversidade e inclusão. Trata-se de capacitar as pessoas trans e compartilhar conosco as ferramentas e o acesso que foram oferecidos a vocês ao longo de sua carreira.”

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