O estudante Lucas Souza vítima de homofobia em Santos
O estudante Lucas Souza vítima de homofobia em Santos (Foto: Reprodução/Facebook)

O estudante universitário Lucas Acácio de Souza, de 23 anos, fez um post nas suas redes sociais para descrever um episódio de homofobia que sofreu na orla do bairro José Menino, em Santos, no litoral de São Paulo. Exibindo hematomas pelo corpo, ele contou que foi xingado e espancado por um grupo e teve o seu relato viralizado em poucas horas da noite desta quarta-feira (11).

De acordo com o texto feito no seu perfil no Facebook, o episódio aconteceu na última sexta-feira (06), mas o registro do Boletim de Ocorrência (B.O.) foi feito apenas quatro dias depois. A Polícia Civil investiga o caso.

Souza estava no litoral do estado para passar o fim de semana com uma amiga, mas os dias de descanso viraram uma tremenda dor de cabeça, após o encontro com os agressores. “Tínhamos acabado de sair do mar e fomos ao chuveiro que fica no calçadão, para sair da praia e assistir ao jogo do Brasil. Eu fui pedir um isqueiro para dois caras que estavam sentados próximos, e ali começou tudo: fui xingado e, logo em seguida, mais quatro caras apareceram para me bater”, contou.


As agressões foram tão intensas que fizeram o rapaz ficar desacordado, tanto que ele não se recorda de muitos detalhes. “A minha amiga que viu tudo e me ajuda a lembrar. Eles gritaram para mim: ‘vai ter que apanhar para deixar de ser veadinho’. Foi quando ela foi tirar satisfação, e os seis começaram a me bater. Eu meio que desmaiei, e foi quando eles fugiram.”

“Teve uma senhora que chamou a polícia, mas nós corremos até a avenida e pegamos um ônibus. E só descemos bem longe dali, com medo e muito assustados”, descreveu ele, que pensou em deixar o ocorrido impune, mas tomou coragem para compartilhá-lo. “Realmente não dá para ficar calado numa situação como essa. Eu fiquei muito machucado, cheio de hematomas. Então, resolvi escrever e fazer um boletim de ocorrência, para que a polícia possa encontrar e punir aqueles caras.”

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A publicação logo ganhou proporção na web e chegou a ser compartilhada mais de 7 mil vezes. “Eu tenho trejeitos, e aquele grupo logo percebeu. Só não posso concordar que minorias tenham que sofrer repressão da suposta maioria. Tenho família e amigos, e todos ficaram muito preocupados. Essa exposição me deixa com mais medo, mas acho importante, para que crimes como esse não sejam cometidos novamente”, desabafou.

A ocorrência foi registrada no Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo. O caso foi remetido para investigação pelo 7º Distrito Policial de Santos. Apura-se, inicialmente, crimes de lesão corporal e injúria (ofensa da honra).

Lucas também foi submetido a exames no Instituto Médico Legal (IML) para constatar a gravidade das lesões, que são tratadas por ele. As imagens das câmeras de segurança da orla também serão analisadas para ajudar no caso.

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