Daniela Mercury e Malu Verçosa
Daniela Mercury e Malu Verçosa [Foto: Marcelo Bessa/Gshow]

A autora, jornalista e blogueira Liliane Ribeiro da página Papo Reto, que fala sobre relacionamentos decidiu entrevistar outras mulheres casadas que se apaixonaram por mulheres e frequentam aplicativos de namoro.

“As mulheres de todo país começaram a me contatar, fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que conhecia alguém que conhecia alguém nessa situação, ou passavam por isto. “Se você tivesse me perguntado há dois anos sobre isso eu teria respondido que sei exatamente quem e o que eu sou e,  eu não sou bissexual e nem poderia ser uma”, disse a autora.

Muitas das saídas do armário começam depois dos 30 anos ou mais e isso tem atraído a  atenção crescente da mídia nos últimos anos, virando assunto de novelas, filmes etc. Em parte devido ao número de mulheres de alto perfil que falam abertamente sobre suas paixões após seus relacionamentos heterossexuais. O assunto agora começou a atrair a atenção acadêmica.


A Associação Americana de Psicologia, em San Diego, possui uma série de pesquisas e estudos sobre  a vida de mulheres que experimentaram uma atração pelo mesmo sexo depois de terem casado com homens.

O estudo concluiu que “uma mulher heterossexual pode fazer uma transição completa para uma identidade bissexual.” Essa possibilidade é muitas vezes ignorada; quando uma pessoa sai mais tarde do armário, normalmente as pessoas dizem que  a outra sempre foi gay ou bissexual e que apenas escondeu ou reprimiu seus sentimentos. Mas a ciência e a psicologia são contrárias à sabedoria popular. Cada vez mais os pesquisadores estão questionando isso e investigando se a sexualidade é mais fluida e mutável do que se suspeita. A possibilidade de atravessar fronteiras sexuais aumenta à medida que as pessoas envelhecem talvez por se tornarem mais expansivas e independentes.

“Cada uma das mulheres que conversei e que passaram por uma transição disse não ter sido algo tão simples.  Eu acho que a cultura tende a acumular mudanças e escolhas, como se fossem o mesmo fenômeno, mas não são. A puberdade envolve muita mudança, mas você não a escolhe. Há transições de curso de vida que estão além do nosso controle”, segundo Liliane.

A afirmativa comum a todas as mulheres entrevistadas foi : “eu me apaixonei pela pessoa e, não pelo gênero.” No estudo da Associação Americana de Psicologia, cerca de um quarto das mulheres das 520 entrevistadas relataram que o gênero é amplamente irrelevante na escolha de parceiros sexuais. “No fundo”, disse uma mulher, “é só uma questão de quem eu conheço e me apaixono, e não o corpo, é algo além do sexo”. Ecoa que as conexões com mulheres são muito diferentes das conexões entre mulheres e homens “.

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