Lutadora trans de MMA Anne Veriato
Lutadora trans de MMA Anne Veriato (Foto: Divulgação)

A lutadora de MMA trans Anne Veriato, de 21 anos, irá subir no ringue pela primeira vez no próximo dia 10 de março para enfrentar o adversário Raílson Paixão, homem cis, que também estreia no esporte. Desde o seu anúncio, a luta vem causando polêmica e alvo de muitas críticas de médicos.

Mesmo em tratamento hormonal desde os 12 anos, o dono do evento, e também seu empresário, considera que ela ainda não está preparada para lutar com uma mulher. Decisão que ele tomou sem consultar a Comissão Atlética Brasileira. O rival foi escolhido baseado nas convicções desse e no desejo da lutadora da categoria peso palha, para aqueles que pesam até 52 kg.

“Acho justo colocar homem contra homem. Ela tem a força de um homem. Se ela quer lutar MMA e nasceu homem, vai ter que lutar contra homem. Isso é o certo. Não deixa de ser homem, irmão. Ela é homem, nasceu homem”, explicou Nadaf ao UOL Esporte.


Ignorando o fato de que a identidade de gênero não está relacionada diretamente a genitália, o empresário justificou que por ainda não ter passado por uma cirurgia de redesignação, Veriato deve lutar com alguém do seu gênero biológico.

“Acho uma covardia homem quem bate em mulher. Ela é um homem e tem pênis; pensa em fazer a cirurgia um dia. Mesmo quando tirar, disse que quer continuar lutando contra homem. vai lutar como mulher, mas vai sair na porrada com homem”, disparou.

Leia Mais: Campeã olímpica, Rafaela Silva relata abordagem racista da polícia no Rio

Questionada sobre a posição do seu agente, Anne reproduziu o discurso dele. “Eu me identifico como mulher. Não acho injusto lutar contra o homem, mesmo passando por este tratamento com hormônios femininos. Desde a minha infância, sempre competi contra homens e ganhei. Meu treino é pesado e com homens. Sei que posso ganhar se treinar bastante. Seria injusto se lutasse contra mulher, meu nível é acima”, justificou.

O adversário Raílson também concorda com a decisão. “Ela tem força de um homem normal. Acho que não tem nada a ver o fato de ela ser trans. Não levo vantagem, É chegar lá em cima do octógono e só um vai sair vencedor, espero que seja eu. Estou confiante e vou para cima (…). Vou lutar com um homem, nasceu homem, está tudo tranquilo na mente”, disse.

Cabe ressaltar que esta luta não foi regularizada pela Comissão Atlética Brasileira de MMA, organização responsável por supervisionar o esporte no país, e que é regida pelas normas de conduta da Federação Internacional de MMA (IMMAF), que já se manifestou sobre o caso, afirmando a luta ser “um absurdo.”

DEIXE UMA RESPOSTA