bandeira lgbt
Bandeira LGBT (FOTO: Reprodução/Internet)

Um jovem de 24 anos acusou a policiais militares de homofobia, ao ser detido com outros dois amigos após trocar um selinho com outro homem, durante o carnaval de Salvador, no Circuito Osmar no centro da cidade, na segunda-feira de carnaval (12).

De acordo com o designer Ciro Fico, ele e outros dois amigos, dentre eles o outro protagonista do beijo em meio a folia foram levados a uma delegacia da região e autuados por desacato a autoridade e importunação ofensiva ao pudor, e sendo liberados após a assinatura de um Termo de Circunstanciado de Ocorrência (TCO). O celular de uma das pessoas apreendidas ficou apreendido.

No Boletim de Ocorrência (B.O.), o oficial afirmou que Ciro e o amigo causou constrangimento ao público presente ao trocar o beijo e a amiga que estava presente no momento do flagrante teria feito “apologia ao crime de ‘beijos lascivos’” ao defender os dois.


Nas redes sociais, Ciro escreveu um depoimento sobre o ocorrido. Em menos de 24 horas, a publicação teve mais de 420 curtidas e mais de 160 compartilhamentos. “[…] meu amigo deu um beijo de despedida num amigo dele e para nossa surpresa rapidamente foi abordado por um policial falando que era pra ele parar com aquele comportamento, que tinham famílias ali que não precisavam ver aquilo, e que se ele quisesse fazer esse tipo de coisa, que fosse para a Barra que era seu lugar”, afirmou em um trecho do texto.

Leia Mais: Mr. Gay Bélgica Jamie Dublieck é hospitalizado após sofrer ataque homofóbico

“Neste momento Renata se colocou entre o policial e os dois, dizendo que era mãe, que família podia ver aquilo sem problema e recebeu uma ameaça à guarda do seu filho como resposta, antes de sair o policial ainda empurrou Renata. Nesse momento puxei meu amigo e dei um selinho nele, pra deixar claro o absurdo de tanta causação por um gesto tão simples de afeto, o policial seguiu na direção do bloco e ficamos ali travados por um tempo, revoltados sem sabem como/se reagir”, continuou.

Ciro ainda explicou como ocorreu a prisão. “meu amigo que estava na frente recebeu voz de prisão e eu desesperado comecei a gritar ‘Homofobia! Homofobia!’ em busca de algum apoio… recebi uma voz de prisão, enquanto Renata tentava nos defender e era ameaçada pelos policiais”, completou.

Em nota, a Polícia Militar da Bahia informou que o caso foi encaminhado para a Corregedoria da Corporação, onde o mesmo será investigado. E orientou aos jovens que fizeram a denúncia a comparecerem à sede do órgão para declarar mais detalhes sobre o fato afim que seja possível instaurar um procedimento apuratório.