Diretor conta como convenceu Agnaldo Timóteo a assumir relacionamentos gays em documentário

Agnaldo Timóteo
Agnaldo Timóteo (Foto: Divulgação)

Apesar de nunca ter tornado pública a sua orientação sexual, o tema sempre foi cercado de mistério e especulações, na vida de Agnaldo Timóteo. Após décadas de carreira fugindo do assunto, o cantor topou abrir detalhes de seus relacionamentos gays no documentário ”Eu, Pecador”, em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo nos dias 27, 28 e 29 de outubro e 1º de novembro.

Em entrevista ao R7, o diretor Nelson Hoineff conta como conseguiu convencer o compositor a revelar sobre seus amores homoafetivos no filme. “Inicialmente, ele não queria falar sobre. Mas o convenci. Agnaldo é mais do que isso. Expliquei que falar sobre o assunto jamais seria algo prejudicial. E ele se abriu, contando até para qual pessoa determinadas músicas foram feitas.”, afirmou.

As declarações, no entanto, incomodaram um dos ex-parceiros de Timotéo, que hoje é heterossexual com família, e não concordou como foi mostrada a relação dos dois na produção. Na época retratada, ele tinha 19 anos. O homem chegou a ir até a casa do cantor para pedir que o trecho fosse retirado do filme, pedido prontamente atendido, para evitar qualquer mal-estar.


Leia Mais:

Marvel apresenta primeira personagem LGBT em Thor: Ragnarok

Post de mulher que pediu ajuda com marido que não limpa o traseiro para “não virar gay” viraliza nas redes sociais

Hoineff ainda comentou como teve a ideia de fazer um filme sobre a trajetória do artista, quando se conheceram para Agnaldo gravar um depoimento ao documentário sobre a vida de Cauby Peixoto. “Ele falou dez minutos sobre o Cauby e duas horas sobre ele mesmo. Foi lá que tive o estalo de que um filme com o Timóteo renderia uma história bastante interessante.”, lembrou.

O título “Eu, Pecador” foi extraído de uma das músicas do cantor, lançada em 1977. A letra sugere o sentimento de culpa por conta da própria orientação sexual. Além dessa, as canções Passarela da Minha Vida (faixa inédita composta com letra explícita para um caso de amor que durou 20 anos), Ciúme Louco e Galeria do Amor também ganharam destaque. A última, de 1975, é uma homenagem a Galeria do Alaska, então considerado o maior clube gay do Brasil, em pleno período da Ditadura Militar.

“Sempre soube que expor a vida dele era algo delicado. Mas ele não só fez isso, como contou a real inspiração de cada música, numa sinceridade e sensibilidade que só o Timóteo consegue transparecer.”, completou Hoinef.


DEIXE UMA RESPOSTA