Destransicionar: Conheça histórias de pessoas que passaram pela transição de gênero e se arrependeram

Bandeira trans
Bandeira trans (Foto: Reprodução)

A identidade de gênero se tornou um tema em evidência nos últimos tempos, principalmente pela abordagem dada através do personagem Ivan na novela A Força do Querer, da Globo. Muitas pessoas trans se descobrem como tal, passam por todo o processo de redesignação, mas por diversos fatores, como efeitos colaterais das medicações, ou simplesmente por decidirem voltar atrás. Movimento que é chamado de destansicionar.

O jornal O Globo conversou com homens e mulheres que passaram pela transição, mas não se adequaram ao novo estilo de vida e resolveram mudar de novo. Como é o caso de Denise, de 24 anos. Aos 18, ela começou o processo de transição e assumiu a identidade de Danilo. Começou a tomar hormônios e retirou os seios, após isso entrou em uma profunda depressão, e chegou a tentar suicídio, após a mastectomia. Há dois anos, decidiu retomar ao estado original.

“Transicionei para me encontrar, mas isso me afastou de muita gente. Fui vista como ameaça e doeu muito. Percebi que ser homem trans acabaria me limitando, e traria consequências que talvez eu resolvesse de outra forma. Mas a gente nunca volta para o mesmo estado. Vamos para outro”


Denise pulou etapas. Ela confessa que “furou a fila”, com a ajuda de um profissional do Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS de São Paulo (CRT). Segundo o Sistema Único de Saúde (SUS), o procedimento correto seria passar pelo acompanhamento de profissionais, incluindo psicólogos, em um processo de pelo menos dois anos para que a pessoa tenha certeza da decisão. Procedimentos cirúrgicos não podem ser feitos por menores de 21 anos e a fila de espera pode levar até uma década.

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O alagoano Pedro, de 19 anos, também faz o caminho de volta, após iniciar o processo aos 14 anos. O incentivo para tomar hormônios por conta própria era “uma grande vontade de ter a puberdade que minhas irmãs tinham”. Em meio a adolescência, já tinha seios e parou de tomar os medicamentos em agosto deste ano. Em apenas duas semanas, viu a barba crescer e os mamas diminuírem.

“Tentei por anos me encaixar em alguma classe e não consegui. Me taxam de coisas e eu vivo a tristeza de não me contentar com nada. Tive meu lado mulher como personagem para fugir de uma realidade que estava vivendo, mas entrei em outra que não me pertencia. Decidi ser o que minha natureza reservou pra mim.”, explicou.

Até maio deste ano, ao todo, foram realizados 18.241 procedimentos ambulatoriais e 400 cirurgias de mudança de sexo num dos nove centros habilitados para oferecer estes procedimentos. O Ministério da Saúde informa que para as pessoas que desejam seguir pela destransção, a conduta da equipe médica é considerar cada caso, e que é possível a reversão.


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