Secretária de Estado portuguesa, Graça Fonseca, se assume lésbica em entrevista

A secretária portuguesa de Estado Graça Fonseca se assumiu lésbica em entrevista nesta terça-feira (22)
A secretária portuguesa de Estado Graça Fonseca se assumiu lésbica em entrevista nesta terça-feira (22) (Foto: Divulgação/Governo de Potugal)

A secretária portuguesa de Estado da Modernização Administrativa Graça Fonseca assumiu ser lésbica durante entrevista ao jornal local Diário de Notícias, publicada nesta terça-feira (22). Para ela, declarações como estas são importantes por considerar ser também uma “afirmação política”.

“As pessoas afirmarem publicamente que são homossexuais, não há muito quem o tenha feito. E acho que isso é importante”, explicou ela da sua decisão.

Fonseca acredita que mais pessoas públicas saindo do armário contribuiria para a diminuição da LGBTfobia. “A questão de haver poucos deputados ou membros do Governo de um determinado grupo tem muito a ver com como é que olho para essas pessoas, como me relaciono com esse outro. E com que empatia. E acho que se as pessoas começarem a olhar para políticos, pessoas do cinema, desportistas, sabendo-os homossexuais, como é o meu caso, isso pode fazer que a próxima vez que sai uma notícia sobre pessoas serem mortas por serem homossexuais pensem em alguém por quem até têm simpatia.


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“E se as pessoas perceberem que há um seu semelhante, que não odeiam, que é homossexual, isso pode fazer que a forma como olham para isso seja por um lado menos não querer saber se essas pessoas são perseguidas, por outro lado até defender que assim não seja. Mas mesmo que seja só deixar de não querer saber já é um ganho”, declarou.

Apesar de ser algo muito pessoal, a secretária de estado acredita que chegou o momento de expor esta parte de sua vida, porque mentalidades não são mudadas a partir de leis como as do casamento e da adoção. “Porquê dizê-lo, então? Como é óbvio isto foi uma questão muito pensada. E na verdade não é uma questão da privacidade, é uma questão de identidade. E a partir do momento em que se percebe que há questões de identidade que ainda hoje são fundamento de ações violentas e discriminação, quando se pensa sobre o que fazer, há um equilíbrio difícil.

“Mas como acho que as leis não bastam para mudar mentalidades, não bastam para mudar a forma como olho para o outro, que aquilo que muda a forma como olhamos para os fenômenos tem muito que ver com empatia.”, pontuou.


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