Salvador sedia 1ª Marcha das Passivas neste domingo (02)

Evento marcará as manifestações da Independência da Bahia
Evento marcará as manifestações da Independência da Bahia (Foto: Reprodução/Internet)

No próximo domingo (02), Salvador sediará a primeira Marcha das Passivas, o movimento fará parte das manifestações sociais e culturais dos festejos da Independência da Bahia, data histórica que lembra a definitiva saída da colônia portuguesa do estado.

O evento fará parte do tradicional percurso feito nas ruas do centro da cidade, marcado por levantar bandeiras das mais diversas lutas. No convite divulgado na página oficial da marcha no Facebook, os organizadores convocamos manifestantes a partir de um texto marcado pelo bom humor.

Leia Mais:


Elenco de 13 Reasons Why arrasa na Parada LGBT de São Francisco

Doritos bate meta de 100 mil reais arrecadados para a causa LGBT

Chame a sua galera, as “passivas”, as “ativas”, as “versáteis”, as “rachas”, as “machas”, as travas, as trans, as “encubadas”, as “ursas”, as “mariconas”, as “pocs”, as “marombadas”, TODAS e vamos marchar bem “PASSIVAS”! Tragam seus cartazes BEM FECHATIVOS e vamos lacrar nas ruas do Centro Histórico de Salvador! Não esqueçam o GLITTER!

A concentração acontecerá a partir das 8h, no largo da Soledade, famoso local da capital baiana na Praça Maria Quitéria.A saída da passeata LGBT será feita em conjunto com o desfile do 2 de julho, que percorre as ruas do centro histórico até o Pelourinho.


2 COMENTÁRIOS

  1. Acho necessário sabermos a proposta da Marcha. Por trás do lúdico deve existir um conteúdo político. Em uma sociedade homofóbica, manifestar-se nunca é demais. ???

  2. 1º MARCHA DAS PASSIVAS 2017 – Salvador/BA

    Dia 2 de Julho – 02/07/2017 (Domingo)
    A concentração começa às 8:00H no Largo da Soledade (Praça Maria Quitéria) no bairro da Liberdade. A marcha sairá entre às 9:30H e às 10:00H seguindo o cortejo ao ‘2 de Julho’ até a ‘Praça de Sé’, no Pelourinho.

    Pagina oficial do evento: https://www.facebook.com/events/1434657676593548
    Pagina oficial da Marcha das Passivas: https://www.facebook.com/marchadaspassivas/

    @marchadaspassivas

    ***

    A MARCHA DAS PASSIVAS

    Vivenciamos o ‘2 de Julho’* desde a nossa infância. Data comemorativa e data política. É isso mesmo! Por trás das cores, do brilho e da diversidade que toma conta das ruas nesse momento, existem aspirações contestadoras, reivindicadoras e desejosas de um mundo melhor, com mais equidade. O impacto dessas manifestações e a militância histórica do Grupo Gay da Bahia (GGB) nos inspiraram a chamar os LGBT’s para ocupar e ressignificar o dia da Independência do Brasil na Bahia.

    A vontade de se manifestar contra o preconceito, contra a homofobia e contra a heteronormatividade fez surgir a ideia da Marcha das Passivas. Por que tal denominação? Por que não marcha das ativas? Em primeiro lugar, no chamado “meio gay” também existem privilégios e discriminação. Os homossexuais negros, efeminados e pobres sofrem, dentro de muitos espaços LGBT’s, racismo, violência (física e verbal) e exclusão. Em contrapartida, por vivermos num país machista, heteronormativo e falogocêntrico, aqueles LGBT’s que atendem ao padrão imposto por esta sociedade são valorizados e conclamados como modelos a serem seguidos. Neste espaço de homofobia e heteronormatividade sistêmicas, dezenas de LGBT’s são assassinados, hediondamente, todos os anos por contrariarem essas regras estabelecidas.

    Por que Marcha das Passivas? Numa relação LGBT, comumente, “passivo” é um dos papeis desempenhados pel@ sujeit@ durante o ato sexual. Isso todo mundo sabe! No entanto, o termo também designa subalternidade, sujeição, tornando-se, inclusive, entre muitos LGBT’s, um insulto, um xingamento ou uma palavra de escárnio. Ser identificado como um passivo ou passiva, para muitos, além de ofensivo, é motivo de vergonha. Nesse contexto, aqueles identificados como ativos, que na maioria das vezes assumem uma identidade heteronormativa e machista, são vistos como “menos gays” ou “gays exemplares”. Ninguém sofre preconceito por ser ativo, mas muitos são rejeitados por serem efeminados e passivos.

    Sim, trata-se de um nome polêmico. Mas não há como discutir preconceito sem fazer polêmica e sem chamar a atenção das pessoas. O termo é utilizado no feminino para provocar inquietações. O LGBT efeminado, a bicha pintosa, ainda incomoda muita gente. Na verdade, tudo que contesta os padrões estabelecidos incomoda, como mulheres líderes, independentes e poderosas, ou, homens femininos e dedicados a afazeres historicamente direcionados às mulheres. Assim, valorizar o feminino, dar a famosa pinta, é uma excelente via de contestação e de afirmação das identidades LGBT’s marginalizadas. Queremos ressignificar expressões antes vistas como pejorativas. O feminino não nos incomoda, agrega, é inclusivo. Vamos pôr “as gays” em evidência.

    A marcha não pretende afirmar o dualismo ou binarismo. Todos somos livres para amar e para transar da maneira como nós desejarmos. Não temos a intenção de setorizar o movimento LGBT, as causas são as mesmas, os opressores são os mesmos. Não estamos contra aos que se consideram ativos ou aqueles que gostam de pertencer ao padrão “macho alfa”. Em verdade, não acreditamos nessas classificações, nesses enquadramentos.

    Nosso inimigo não é físico, é simbólico, é ideológico. Trata-se de um sistema de ideias que moldam profundamente o comportamento machista e heteronormativo dos indivíduos. Nossa intenção é convidar as pessoas para questionarem seus comportamentos. “O que existe em meu ser que, de certa maneira, reproduz o machismo e a homofobia?”. São mecanismo muito sutis e imperceptíveis mesmo por aqueles que sofrem com essa estrutura segmentadora.

    Destarte, a causa do movimento não é atípica ou excêntrica. Todos as manifestações LGBT’s lutam contra tudo isso. A peculiaridade da Marcha das Passivas está no fato de acontecer no 2 de julho, data muito importante na história política do Estado da Bahia, que agrega inúmeras manifestações, partidárias e não-partidárias. Num momento de recrudescimento de valores conservadores, não podemos perder as oportunidades para levantar as causas das minorias que, com a emergência e fortalecimento da bancada evangélica, vem sofrendo duros golpes, principalmente, no tocante às políticas educacionais.

    Outro ponto importante: não se trata de um movimento vertical, baseado em hierarquias. A Marcha será um espaço político espontâneo, solidário e aberto a todos. Não existem líderes. A celebridade e a força do evento deverão pertencer à multidão e aos seus anseios e reivindicações. O protagonismo é de todos aqueles que se sentem estigmatizados dentro e fora do chamado “meio gay”.

    A sexualidade, a virilidade ou o tamanho do pênis não devem ser critérios para a medida do valor de ninguém. Todos somos seres humanos, cada um com sua história de vida e com os seus sonhos. Todos temos o objetivo de chegar a algum lugar e queremos realizar esse trajeto com segurança existencial e com muito amor à vida. Assim, a Marcha das Passivas não é somente dos passivos, mas dos ativos, dos versáteis e de todos aqueles que defendem o amor e o respeito ao próximo.

    Equipe Marcha das Passivas
    @marchadaspassivas

    ***

    ENTREVISTA:

    1. Quem são os organizadores (nome e sobrenome) da marcha e o que fazem?
    Equipe Marcha das Passivas: Queremos um ato sem uma estrutura hierarquizada, não pretendemos assumir maternidade/paternidade. Trata-se de um movimento aberto, horizontalizado… é por assim dizer um movimento espontâneo que agrega pessoas com diferentes inquietações de diversas áreas.

    2. Como surgiu a ideia da marcha?
    EMP: A ideia surgiu de forma bem espontânea, queríamos agregar mais LGBT’s aos movimentos já tradicionais no 02 de Julho, buscando agregar ” os diferentes ” de forma crítica e lúdica.

    3. Qual a estrutura? (banda, trio, bloco…)
    EMP: Bloco e muita criatividade.

    4. O nome não parece ser inclusivo. Por que “passivas” no feminino?
    EMP: A própria comunidade LGBT acaba reproduzindo determinados comportamentos por questões culturais, como o machismo. Assim, queremos ressignificar expressões antes vistas como pejorativas… o feminino não nos incomoda… agrega, é inclusivo.

    5. Sofreram críticas da comunidade LGBT por ter um mote excludente, quando existem passivos machões, ativos afeminados?
    EMP: A comunidade LGBT é diversidade. Queremos mandar o machismo existente ainda na própria comunidade para o espaço. Alguns acusam de desnecessário. Temos que discutir o sentido do termo. Por que desnecessário? A comunidade LGBT já alcançou todos os seus direitos e vive socialmente bem? Já existem movimentos em demasia ocupados com a causa? Existem preconceito e discriminação entre os LGBT’s. Somente a primeira questão, diante de uma resposta afirmativa, poderia desqualificar a Marcha das Passivas. As outras duas, não se sustentam. O Movimento LGBT não tem dono, ele pode surgir e ressurgir em todos os lugares. Também, é falsa a distinção entre preconceitos internos e externos à “comunidade” LGBT. Os atos de discriminação que acontecem tanto dentro como fora “do meio” LGBT estão profundamente conectados à totalidade social. Quando se luta contra a homofobia, por exemplo, contesta-se sua manifestação em todas as instancias (família, escola, bairro etc.).

    6. Acham que estão contribuindo para criação de estereótipos?
    EMP: Estamos desconstruindo padrões de comportamento… somos livres para sermos “machudas” ou efeminadas. Sem traumas!

    7. Quantas pessoas participam do evento?
    EMP: Não nos preocupamos com números, o importante é o espírito do movimento.

    8. Qual a finalidade social do evento e no que ele contribuiu para a luta LGBT?
    EMP: Temos uma moçada da nova geração, que não se identifica com o que aí está, nem com o próprio movimento LGBT tradicional. Queremos agregar essas pessoas num ato livre, democrático, espontâneo, diverso, sem amarras, hierarquia ou burocracia. Assim fortalecemos a luta por uma sociedade que respeite de fato à diversidade.

    Equipe Marcha das Passivas
    @marchadaspassivas

DEIXE UMA RESPOSTA