Ministério da Saúde adota uso preventivo de pílula anti-HIV para pessoas em risco

Pílula do medicamento Truvada, usado na profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV
Pílula do medicamento Truvada, usado na profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV (Foto: Paul Sakuma/AP)

Profilaxia pré-exposição (PrEP) já vinha sendo estudada pelo Ministério da Saúde. Medicamento

O Ministério da Saúde acaba de dar um grande passo no combate ao HIV, nesta quarta (24), o Ministério anunciou que adotará a profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV para grupos em risco.

Sabe aquela máxima: “É melhor prevenir do que remediar?” Pois bem, a estratégia envolve o uso diário do medicamento Truvada (combinação dos antirretrovirais tenofovir e emtricitabina) por pessoas que ainda não têm o vírus.


O objetivo é proteger grupos que estão mais expostos ao risco de infecção, como profissionais do sexo, casais sorodiscordantes (quando um tem o vírus e o outro não), pessoas trans e homens que fazem sexo com homens.

Segundo o ministro Ricardo Barros, a pasta já investiu U$ 1,9 milhão na compra de 2,5 milhões de comprimidos de Truvada, o que deve ser suficiente para atender à demanda durante um ano. Barros destacou que o Brasil será um dos primeiros países no mundo, e o primeiro na América Latina, a adotar essa estratégia preventiva.

O medicamento deve estar disponível no SUS para esses grupos 6 meses após a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, o que está previsto para ocorrer na segunda-feira (29), segundo o ministério.

Para receber o medicamento, o paciente passará por uma avaliação para verificar o quão exposto ele está ao vírus HIV.

Especialistas alertam que esse tipo de estratégia deve ser aliada a outras medidas preventivas. Quem optar por adotá-la, por exemplo, deve ser aconselhado a continuar usando a camisinha, a fazer testes de HIV periodicamente e a tratar outras DSTs, que costumam deixar o paciente ainda mais vulnerável à infecção por HIV.

Eficácia da estratégia

Desde 2014, a profilaxia pré-exposição é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para pessoas em risco considerável de se infectarem com HIV e sua eficácia foi comprovada por quatro estudos clínicos. Um deles, o estudo internacional iPrEx (Iniciativa de Profilaxia Pré-exposição), do qual o Brasil também participou, concluiu que o uso diário de antirretroviral por homens saudáveis que fazem sexo com homens conseguiu prevenir novas infecções com eficácia que variou de 43% a 92%, dependendo da adesão ao medicamento.

A adoção da estratégia já vinha sendo estudada pelo Brasil por meio de cinco estudos financiados pelo Ministério da Saúde realizados por instituições como a Faculdade de Medicina da USP e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Fonte: G1


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