Jean Wyllys acusa Polícia Federal de ignorar denúncias de ameaça de morte contra ele

Crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press Brasil. Brasília - DF.

Jean Wyllys, primeiro parlamentar homossexual a defender os direitos LGBT no Congresso Nacional, acusa a Polícia Federal de ignorar suas denúncias de ameaça de morte.

Mesmo com um vasto material investigativo à disposição da Polícia Federal conseguido pela própria equipe de gabinete e com os criminoso já identificados, o processo não se encaminha. “A Polícia Federal tem se mostrado pouco sensível a essa questão. Nós temos elementos, muitos indícios, porque acompanhamos e monitoramos a origem dessas mensagens há muito tempo. E há um padrão que se repete nas ameaças, nos textos. A gente fez meio que um trabalho de investigação coletando [indícios], e entregamos isso já de mão beijada à polícia, já mastigado”, declarou o deputado em entrevista ao Congresso em Foco.

Jean diz acreditar que talvez por ser parlamentar de oposição ao governo Michel Temer, não tem sido tratado de maneira adequada, porém evita dizer de maneira convicta que a PF esteja agindo de forma homofóbica. “Não sei lhe dizer se [agem] de maneira homofóbica. O que eu quero lhe dizer é que não há sensibilidade para resolver essa questão. A Polícia Federal é uma instituição que tem agido de maneira muito pouco republicana nos últimos tempos. Não por acaso, há um pedido de investigação para entender porque a PF cedeu agentes, helicópteros, armas para a realização de um filme sobre a Lava Jato, cujo patrocinador é uma incógnita, é anônimo”, completou o deputado.


Ele ainda mencionou que os ameaçadores recebem notícias da PF: “A gente recebeu dos ameaçadores o seguinte texto: ‘Você está pensando o quê? Vai envolver a PF nessa história por quê? Quem você acha que me dá as informações acerca da sua vida e da vida dos seus irmãos e sua mãe?’”.

“O texto diz exatamente isso, que pessoas da própria Polícia Federal estão colaborando com eles nas informações”, comentou Jean, lembrando que levou a denúncia diretamente ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra.

As ameaças chegaram a se estender até o parlamentar Magno Malta, que curiosamente é membro da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Família e Apoio à Vida, que tem a ideologia e atuação parlamentar opostas à de Jean Wyllys.

Em uma das mensagens é dito:

“Se o deputado federal Jean Wyllys e o senador Magno Malta não renunciarem, eu vou espalhar 500 quilos do explosivo triperóxido de triacetona – explosivo tão perigoso e potente que é chamado de ‘Mãe de Satan’ pelos terroristas do Estado Islâmico – em escolas, hospitais e universidades brasileiras.”

“Eu mesmo poderia matar esses desgraçados e depois meter uma bala na minha cabeça. Porém, a morte seria pouca [sic] para eles. Eu quero ver eles e a família deles sofrendo.”

“Se vocês conseguirem me identificar e vierem atrás de mim, vão ter uma grande surpresa!!! Vou gritar ‘Allahu Akbar’ e me explodir em uma bola de fogo levando boa parte do meu prédio, matando dezenas de inocentes!”.

Chico Alencar (RJ), Vice-líder do Psol na Câmara, articulou uma reunião da bancada do Psol que tem seis deputados, com o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, peemedebista e aliado do Temer com o objetivo de fazer com que a pasta, à qual a Polícia Federal é subordinada, ajude a localizar os criminosos e proteja Jean adequadamente das ameaças.

Fonte: MS Notícias


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