Alice Guél (Reprodução/Instagram)
Alice Guél (Reprodução/Instagram)

A cantora Alice Guel fora uma das convidadas da Bancada Ativista para participar de uma audiência pública sobre políticas LGBTs na ALESP. Presente na Assembleia Legislativa de São Paulo, Alice que é uma mulher trans discursou pelos corpos invisíveis no dia dia antes de cantar uma de suas faixas do álbum Alice no Pais que Mais Mata Travesti, produção da TravaBizness, gravadora coordenada e destinada à artistas LGBT. Em entrevista ao Observatório G, a cantora nos dá detalhe de seus próximos passas musicais e quais são seus anseios como LGBT na sociedade.

Alice, quando você iniciou a sua carreira musical?

“Comecei a minha carreira musical no começo de 2017 com uma ansiedade e necessidade de dizer e expor as verdades não ditas sobre as corpos transvestigeneres negras”.


O seu álbum “Alice no país que mais mata travestis” é uma crítica social do início ao fim. O que lhe ajudou a construí-lo? Quais foram as inspirações? 

Eu não diria o que, mas sim quem?? As pessoas que me ajudaram a construir a minha história tem um corpo específico, e são as travestis pretas periferias. As minhas inspirações sempre foram artistes e pessoas, realidades que de alguma força se entrelaçam comigo. Eu hoje em dia me inspiro muito na Linn da Quebrada, Rosa Luz, Veronika Valenttino, Danna Lisboa, Malka Julieta, PamkaPauli, Veni entre outros artistas transvestigêneres”. 

Você foi uma das convidadas da co-deputada Érika Hilton para uma cerimônia especial na ALESP sobre políticas LGBT. Como foi esse momento para você?

“Confesso que quando cheguei na ALESP fiquei um pouco coagida, pois nunca havia adentrado aquele espaço, os corredores cheio de pessoas extremamente sérias, engomadas, cinzas e frias. Mas quando entro no auditório e me deparo com tantas corpos LGBTQIA+  (que eu amo demais ) juntes com a intenção de discutir as políticas sobre nossas vidas, me tocou demais. Essa auditoria foi um momento histórico onde tive a imensa honra de participar”.

Hoje, como cidadã você se sente representada por alguma personalize política?

“A representatividade é limitada,  ninguém nunca será capaz de me representar ou representar toda uma população. O que queremos na verdade é que cada vez mais os corpos reais, os corpos do povo, os corpos pretxs e transvestigeneres ocupem os espaços políticos com sua total pluralidade. Óbvio que imagens como Erika Hilton, Erika Malunguinho e Robeyonce são mulheres trans* tão potentes que faz meu coração transborda esperança”.

Quais serão os seus próximo passos na música?

“Nossa, eu fiquei do meio até o final do ano passado pensando o que cantar depois de ‘Alice No País Que Mais Mata Travestis’ meu EP de estreia, e no começo deste ano eu me entendi musicista, multi-artista, livre e plural. Os meus próximos passos é continuar falando as verdades não ditas sobre a minha vivencia, estou construindo o meu próximo EP que lançarei em breve pelo selo Trava Bizness ( Gravadora feita por pessoas trans* ), estou empolgada em mostrar os próximos feats e clipes que estão por vir”.