A cartunista Laerte
A cartunista Laerte (Foto: Divulgação)

Por André Jr.

A exposição Maio na Paulista, que celebra o Dia do Trabalho, volta à cidade de São Paulo com os artistas plásticos Laerte e Angeli. A dupla fez 30 charges – discutindo temas como direitos humanos, eleições, saúde pública, igualdade de raças e uso de agrotóxicos – que ocuparão 1KM do centro empresarial da cidade.

A mostra acontece anualmente tradicional e em 2018 contou com as obras de Carla Caffé e Guto Lacaz. Este ano, a exposição se torna itinerante e acontecerá também nas Casa de Cultura do Butantã, na Casa de Cultura da Vila Guilherme, o Casarão, no Centro de Convívio de Cultura da Vila Mariana e na Galeria Prestes Maia.


Laerte é uma mulher trans que nos agracia com a sua arte há anos e vem destacando-se também no ativismo pela comunidade trans. Em épocas de uma governabilidade preconceituosa é extremamente adversa a diversidade de gênero e cor, o trabalho da cartunista torna-se ainda mais monumental e digno de aplausos para a atual e futura geração do país. Para os interessados seguem informações sobre a parceria de Laerte e Angeli:

Quando surgiu o convite da UGT para expor as suas obras? Quem define os temas da amostra cultural?

“O Fernando nos convidou, explicando que o olhar da exposição era sobre os direitos dos trabalhadores, sobre os direitos civis de um modo geral; esses temas foram definidos pelos organizadores”.

As suas charges sempre dialogaram com assuntos pertinentes à sociedade – econômica e socialmente – mas nos dias de hoje você está extremamente ligado à críticas políticas. O que levara a sua arte para este caminho?

“Charge, em si, é cartum editorial – quer dizer, necessariamente trata de assuntos políticos. Tenho outros espaços onde publico trabalhos mais gerais, com abordagens mais, vamos dizer, literárias. Gosto de manter todas essas formas de produzir…”

Qual é o propósito da UGT com esta exposição e qual é o seu, Laerte?

“Bom, a UGT é uma central sindical – e certamente o Chiquinho ou alguém da direção pode responder melhor que eu sobre o propósito dela. Quanto ao meu, me interessou muito poder frequentar um espaço inédito para mim, esse dos painéis na coluna central da avenida Paulista”.

Ser uma mulher trans e ter visibilidade num governo que apresenta-se completamente averso às diversidades não lhe traz ainda mais responsabilidades? Quais outros membros da comunidade LGBT possuem o mesmo prestígio que o seu? Existem outros?

“Tenho pensado na luta das pessoas trans – e LGBT de um modo geral – como uma pauta importantíssima em relação ao país em que vivo, neste ou em qualquer governo. Evidentemente, neste momento a agressividade contra populações mais frágeis ganha um destaque especial. Existem muitas pessoas que se destacam na mesma luta. Se for tentar nomeá-las aqui certamente vou esquecer ou omitir nomes – por isso, me limito a mencionar, de modo simbólico, a bem sucedida candidatura da Bancada Ativista, do PSOL, que elegeu Monica Seixas, Erika Hilton, Anne Rammi, Chirley Pankará, Claudia Visoni, Fernando Ferrari, Jesus dos Santos, Paula Aparecida e Raquel Marques”.

Além da exposição na Avenida Paulista, onde mais podemos encontrar as tuas obras?

“Logo vai abrir uma mostra no Museu da Diversidade, organizada segundo o trabalho de João Silvério Trevisan, o “Devassos no Paraíso”. Produzi vários desenhos para essa exposição”.

Exposição de Maio na Paulista – Direito do Avesso/ Avesso do Direito
Charges de Angeli e Laerte
Ciclovia da Av. Paulista (entre Rua Augusta e Al. Campinas)
De 13 a 31 de maio
Realização: UGT – União Geral dos Trabalhadores