Gloria Groove e Hiran
Gloria Groove e Hiran (Divulgação)

Mostrando toda a diversidade presente no cenário musical no Brasil da atualidade, Hiran se juntou com Gloria Groove, Baco Exu do Blues e ÀTTØØXXÁ para uma super parceria, “Lágrima”.

Hiran é um rapper baiano e está na estrada há um bom tempo em busca de seus sonhos. Recentemente viu o seu nome ser alçado ao grande público graças a uma participação no “Altas Horas” da Rede Globo ao lado de Majur – artista trans e dona do hit “Amarelo” com Vittar e Emicida. Em entrevista ao site, Hiran revela detalhes da produção de “Lágrima” e discute o mercado fonográfico para artistas LGBTs do Brasil.

Hiran, você já vem fazendo música há um bom tempo mas parece que “só” agora é que vem colhendo os frutos. Por qual motivo você acredita que isso esteja acontecendo?


Não sei dizer ao certo, acho que tudo tem sua hora certa pra acontecer e pra fluir e eu faço questão de aproveitar bastante cada etapa, cada fase.

“Lágrima” tem um elenco estrondoso e de renome. Quem escreveu a canção e como foram feitos os convites à Groove e Exu do Blues?

Rafa Dias do Àttooxxa começou a música e aí eu me encaixei nela. Foi ideia do Rafa chamar a Glória. E foi uma ideia conjunta chamar o Baco. Já conhecia e admirava muito o trabalho deles e as pessoas que são. Fico muito realizado de vê-los no projeto comigo!

Quando sai a primeira live de vocês juntos?

Não faço a mínima ideia, mas espero que breve.

Como você define o seu som? Hiran é um rapper?

Eu nasço no hip hop e me expando até onde o meu corpo e a minha energia permitirem. Eu tô num momento de experimentação muito louco. Eu sei que sou rapper e que tenho uma fundação ali, mas acho que consigo me desmanchar na musicalidade de outros estilos e eu tenho bem caçado isso.

Recentemente Emicida lançou “Amarelo” com Vittar e Majur, você acredita que a aproximação de artistas do rap – cenário dominado por homens cisgeneros – está acontecendo de forma natural ou sofre alguma pressão externa para isso?

Eu acho que todo mundo de bem tá tentando fazer sua parte, colaborar, dialogar, propor discussões e derrubar as tensas barreiras do costume. Se isso for feito com respeito e com destaque especial pro lugar de escuta – para que todo mundo que precise se sinta representado de fato por um semelhante que lhe entenda -, todo mundo só ganha no final. Eu adoro “Amarelo” e acho foda o que os três fizeram.

Antes de “Lágrima” você participou de Náufrago com Majur, que também vem ganhando reconhecimento do grande público nos últimos meses. Assim como Majur e Pabllo, você pretende se firmar como um representante da comunidade LGBT?

Eu não teria nem como fugir disso, caso quisesse – e não quero. Eu já tô nesse caminho, meu primeiro disco se deleita nesse ponto. Pra mim, não dá mais pra voltar atrás, principalmente se tratando de um momento tão complicado como o que a gente vive agora.

Para você, Gloria Groove foi a percursora para abrir espaço para artistas LGBTs no rap e hip hop brasileiro? Até então o mercado queer era inteiramente dependente do pop, não?

Não sei se gosto de definir, por mim, marcos específicos, mas acho a Glória uma das pessoas mais fodas no mercado agora. Ver a Glória a primeira vez foi muito intenso pra mim. A quantidade de pessoas que ela toca e a importância de canções como “Império”, pra esse momento, pra mim, só mostra o que o talento dela é capaz de causar.

“Lágrima” é o seu primeiro single de um novo álbum que debuta ano que vem. O que você já pode nos contar sobre o seu próximo CD?

Eu só sei que eu tô amando o processo e espero apresentar o melhor de mim. Posso adiantar que tá tudo bem diferente do primeiro, mas eu me enxergo muito mais maduro, mais musical.