DE MÃE PARA FILHA: os desafios da relação entre uma mãe e uma filha trans

Minha filha é transexual e eu precisava de um suporte jurídico para ajudá-la em alguns procedimentos negados pelo serviço público.

Publicadohá pouco tempo
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Algum momento da sua vida você já quis conversar com alguém, falar sobre alguma coisa… ser apenas você? Ou já quis pedir ajuda, orientação acerca de algo que te aflige, pedir um direcionamento? Com medo de represálias, julgamentos, opiniões, muita gente acaba por esconder sentimentos, dúvidas, ou até mesmo um pedido de ajuda quando estão diante de alguma situação totalmente nova, desconhecida. 

Situações como essas são muito comuns na sociedade, o que acaba trazendo uma certa decepção e tristeza para alguns (ou todos). O medo não pode ser maior do que a sua vontade de buscar ajuda no seu caminho para o autodesenvolvimento. 

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Você pode estar se perguntando: que autor maluco é esse? É que nesta semana me deparei com um caso no escritório: uma amiga de longa data, mas que eu não via há uns dez anos, “reapareceu”. Estava morando em outra cidade e, quando veio passar uns tempos com uma parente doente, me enviou uma mensagem para tomarmos um café virtual. Fiquei extremamente feliz pela possibilidade de matar a saudade, sobretudo de surpresa, como foi. Pela pandemia, fizemos uma chamada de vídeo e a conversa fluiu como se não houvesse tanto tempo que não nos falávamos. Mas eu percebi que ela estava desconfortável e assim ficou até que tomou coragem e perguntou se eu podia orientá-la. A sua filha estava passando por uma fase complicada, de descobertas. Aos poucos, foi se abrindo sobre o processo de transexualização da filha e ela, como mãe, precisava de auxílio jurídico para que alguns procedimentos pudessem acontecer – ainda é uma jornada extensa para isso, sobretudo diante da negativa dos órgãos públicos (o que, aliás, é um bate-papo para outro dia). 

No fim das contas, havia quase 05 (cinco) meses em que ela queria orientação, que não procurou por dificuldade, segundo ela, de colocar o próprio pensamento em ordem. Por isso, não conseguia entender tudo o que estava acontecendo. Mais do que um turbilhão de informações, nesse cenário, havia angústia por parte da filha, pouca ou nenhuma orientação por parte da mãe – que aliás, deu um belíssimo exemplo sobre o que é ser mãe e amar incondicionalmente. Isto quando poderíamos já ter tomado as providências necessárias para o bem-estar de todos. 

O que quero dizer aqui é que, então, se você em algum momento da sua vida já quis conversar com alguém, falar de alguma coisa mais ou menos íntima e ser apenas você, sem rótulo e sem medos, fale. Encontre alguém em que possa confiar e escreva, mande mensagem, telefone. Às vezes o simples ato de colocar para fora qualquer angústia é uma grande ajuda para clarear os caminhos diante de si e dos outros. Uma vez indaguei à minha terapeuta que eu “estava perdido”, que não sabia qual direcionamento tomar na minha vida em um determinado momento. Ela simplesmente me disse: estar perdido também é estar no caminho.

@leidemona @prof.flaviovaz

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