Cartilha gay e aplicativo de Carnaval são propostas do governo Crivella para LGBTs

Nélio Georgini da Silva, Coordenador Especial da Diversidade Sexual
Nélio Georgini da Silva, Coordenador Especial da Diversidade Sexual (Foto: Divulgação)

Marcelo Crivella (PRB) é bispo licenciado da Igreja Universal e contrariando dogmas de sua religião começa a cumprir o que prometeu durante sua campanha eleitoral e vai efetivamente “cuidar das pessoas”.

O prefeito do Rio de Janeiro nomeou como novo Coordenador Especial da Diversidade Sexual o linguista e professor Nélio Georgini da Silva, de 41 anos, que é gay evangélico assumido e agora o responsável por atender e fomentar políticas de diversidade que contemplem a população LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais, trangêneros e travestis).

Homossexual, capricórnio com ascendente em gêmeos, ele é casado há oito anos com o bancário Ronie Adams, de 49 anos. Também é evangélico, da igreja presbiteriana. Professor Nélio, como ė conhecido, ė militante do PRB na área de educação. Formado em Letras pela UFRJ, é especialista em empreendedorismo e gestão de Novos Negócios pela FGV.


Nélio assumiu o cargo ocupado outrora pelo estilista Carlos Tufvesson. O #RioSemPreconceito sai e dá lugar ao #RioMaisRespeito.

Que bons ventos possam soprar em direção aos LGBTs né, mores?

Confira a #ConversadoGordinho com Nélio Georgini, novo Coordenador Especial da Diversidade Sexual da gestão do prefeito Marcelo Crivella.

#QueIssoGordinho: Nélio, como você recebeu o convite do prefeito Marcalo Crivella para a CEDs?
Nélio Georgini: Acho que fui pego de surpresa tal qual a Ministra de Direitos Humanos -Luislinda Valois – fora pega pelo Presidente Temer. Aliás, tenho que parabeniza-la por já colocar em sua agenda a causa LGBT. Felicidade TOTAL!! Pela primeira vez na vida tive um convite que pudesse aliar humanidade e gestão, carinho e realidade, números e narrativas. Além de tudo, trabalhar na equipe do Crivella significa ter a possibilidade de estar com um político forte e REALMENTE relevante no cenário Nacional. Ele escuta todos!!

#QueIssoGordinho: Como evitar que a bancada evangélica dê as cartas na sua gestão e influencie no combate a homofobia?
Nélio Georgini: No mundo todo, as casas legislativas tem as “vozes” representativas da sociedade, ou seja, os deputadxs (as/os) que estão nos legislativos estão lá porque representam aqueles que neles votaram. Logo, há bases de todas as realidades. O que temos que pensar, porém, é no processo de humanização da sociedade brasileira. Temos que batalhar para que TODAS as bases entendam que não estamos pedindo nada além do que previsto na CRFB (1988) e nos entendimentos do STF no que concerne a dignidade da pessoa humana. Outro ponto é conscientizar os Exmos. Legisladores que ao se omitirem e/ou se ausentarem no debate das causas LGBT, estão impactando famílias inteiras. Nós -LGBTs- temos irmãos, famílias, arranjos familiares, amigos. NINGUÉM gosta de ter um ente querido marginalizado pelo estado. Outro ponto é o gasto com a omissão e ausência. Ao termos tais atitudes do legislativo, teremos mais violência, depressão que usarão todos os aparelhos do estado. Quanto custa um dia de CTI de um LGBT que fora agredido? Estas são questões que precisam ser refletidas.

#QueIssoGordinho: O que é homofobia para você?
Nélio Georgini: LGBTfobia significa para mim se utilizar de qualquer tipo de ação (sejam elas veladas até o assassinato) que possam impedir o percurso do direito da busca de felicidade de qualquer cidadão que tenha optado por ser feliz da forma que escolheu.

#QueIssoGordinho: Recentemente, você elogiou na imprensa o projeto “Damas”, que trabalha pela insersão da população trans. O que de fato foi aprovado ou fomentado por Crivella nessa questão?
Nélio Georgini: O projeto Damas não fora criado pela gestão anterior. Ele já tem um histórico de sucesso na Prefeitura. O que a equipe de guerreiros da CEDS 2017 fará é levar em consideração o que se precisa de fato escutando as Trans. Outro ponto que teremos que pensar é o próprio nome já que temos que dar visibilidade-formação para os homens trans.

#QueIssoGordinho: Visibilidade: Quando vamos ver uma foto sua e do seu marido em um evento público ou em um palanque ao lado do prefeito Marcelo Crivella, que é sobrinho de Edir Macedo, líder da Universal?
Nélio Georgini: Aqui em casa, cada qual no seu qual. Nosso filho Olikver Georgini Ribeiro (um cão labralata adotado aqui perto de casa) é quem dá o tom a nossa família. Estamos os 3 sempre juntos. O Oli precisa dos pais e assim vamos vivendo. Nossa vida pessoal é muito simples e não queremos ter isso invadido. Torcemos um pelo outro. Curtimos cada vitória, choramos cada derrota. Mas, cada um na sua luta diária. Ele no BB e eu na CEDS.

#QueIssoGordinho: Em eventos da sua pasta pretende levar seu marido? Fale da relação de vocês. Muito amor?
Nélio Georgini: Como expliquei, ele não gosta de muito de aparecer, mas sempre que quiser ir e estiver a vontade, não vejo problema.
Ele tem toda a liberdade de ir…Mas, ele é mineiro, rsr!! Gosta de ficar na dele!! Além do que já falei, focamos nossa vida particular como algo NOSSO apenas.

#QueIssoGordinho: Você e seu marido celebraram uma união estável ou casamento igualitário? Se não por quê?
Nélio Georgini: Somos casados de fato e de direito. Temos nossa certidão de casamento.

#QueIssoGordinho: Quando vamos ter um casamento comunitário igualitário promovido por sua pasta?
Nélio Georgini: Estivemos no evento de visibilidade Trans na Defensoria do Estado do Rio de Janeiro. Tive o prazer de estar com a militância, o representante colega do Estado, e as Exmas. Defensora Livia Caseres e Desembargadora Tereza Gaulia. Falamos rapidamente sobre o assunto já que preciso entregar o carnaval da CEDS. Mas, estamos empolgados! A União faz a força!!

#QueIssoGordinho: Você é evangélico, como concilia isso com seu novo cargo?
Nélio Georgini: Sim, sou evangélico. O Deus que eu acredito não faz acepção de pessoas. Como tudo na minha vida, eu absorvo o melhor de todas as coisas. Eu concilio a fé com o amor ao próximo, só isso, não tem segredo.

#QueIssoGordinho: Muitos líderes LGBTs enfrentam a homofobia de evangélicos que diálogo em prol do respeito e diversidade você irá promover?
Nélio Georgini: Nosso lema agora na coordenadoria da diversidade será “ Rio Mais Respeito”, não queremos ser vitimas e sim ter respeito, lutamos pela dignidade humana acima de tudo. Através da inclusão, do amor, da Fé, vamos conquistar cada vez mais espaço. Aqui não tem espaço para LGBTfobia, tanto que estou aqui. Se o governo de um representante evangélico, tem uma coordenadoria para diversidade sexual é sinal que avançamos muito.

#QueIssoGordinho: Que papo é esse que você conhece e já elogiou Flávio Bolsonaro. Sei que estudaram juntos na FGV. Concorda com as afirmações dele e de sua família ao se referir a população LGBT?
Nélio Georgini: Há de se ter sensatez, cuidado e humanidade sempre. As falas de cidadãos públicos as vezes são recortadas da forma que se quer atendendo o interesse que se quer. Não estou dizendo que este seja o caso do Flávio. Lembro-lhe, porém, que defensores de nossa bandeira como o Deputado Jean Willys também já sofreram com esses recortes interessados. Eu mesmo de uma hora para outra virei o gay evangélico. Enfim, quero conversar com Flávio, Jean, Pastores, Candomblecistas, Bispos, Médicos, Umbantistas, Católicos, etc. Quero lhes dizer que somos seres humanos e gestores públicos e, por conta disso, temos que atender TODOS que nos demandam. Quem tem fome, tem pressa!

#QueIssoGordinho: Muitos LGBTs não te enxergam como um reresentante dos mesmos. Você defende a quem? Aos interesses do prefeito ou as demandas da população que seu cargo representa?
Nélio Georgini: A representatividade é assim mesmo! Esse é o ganho da democracia. Alguns conseguem se sentir representados outros não. O ponto é que quero ouvir todos e no que for possível para o Município do Rio de Janeiro, atender.

#QueIssoGordinho: Na última semana um caso de homofobia e racismo na zona norte do Rio gerou repersussão na mídia. Qual seu posicionamento sobre isso? Nélio Georgini: Qual auxílio efetivo você dará a esse casal? Irá tomar alguma providência em quanto tempo?
Não nos procuraram ainda. Outro ponto é que não houve até então algo que consubstanciasse o que fora propalado pela mídia. A priori a PCRJ repudia qualquer tipo de violência.

#QueIssoGordinho: Por que até o momento você não tomou nenhuma atitude para ajudar esse casal?
Nélio Georgini: Tomei sim! Investiguei para tentar algo mais substancioso. Mas, nada encontrei.

#QueIssoGordinho: Invocaram uma passagem da bíblia (levítico 18, 22-24). Como combater esse preconceito que muitos usam o discurso da bíblia como base opressora?
Nélio Georgini: Qualquer discurso não pode ser pasteurizado, assim também segue a interpretação da própria bíblia . A bíblia, Deus, não oprime ninguém, opressora é a nossa sociedade.

#QueIssoGordinho: Qual é o seu discurso para quem é o LGBTfóbico?
Nélio Georgini: 1) Busque uma ajuda especializada (psicologia e/ou psiquiatria); 2) Lembre-se que estamos num estado democrático de direito totalmente organizado, i.e., qualquer ação não tolerada (injúria, calúnia, agressão, violência em geral) pelo estado pode te levar a prisão além de pagamento por danos morais e materiais; 3) Nós da CEDS Rio não toleraremos FALTA DE RESPEITO.

#QueIssoGordinho: É papo de bastidor ou de fato não teve uma transição com a equipe que utrora liderava a sua coordenadoria.
Nélio Georgini: Já fiz um ofício ao Gabinete do Prefeito relatando o que encontrei e a forma que encontrei. Agora, cabe a PCRJ tomar as medidas cabíveis. Vale lembrar que a lei impõe 5 anos de responsabilidade dos gestores públicos após se afastarem dos cargos. Além disso, os gestores públicos, por questão de ética, devem informar durante esses 5 anos se irão trabalhar no mesmo ramo. Enfim, isso é papo para Controladoria Geral do Municipio, Tribunal de Contas e Procuradoria.

#QueIssoGordinho: Tem uma relação de parceria com Carlos Tufvesson?
Nélio Georgini: Uma mensagem carinhosa no Facebook apenas. Ele parece ser um querido.

#QueIssoGordinho: Segundo a transparência seu cargo tem uma remuneração de R$ 13 mil. Esse valor é condizente com sua atividade?
Nélio Georgini: Até ontem estávamos batalhando para manter a CEDS vinculada ao Gabinete do Prefeito e se manter como Especial. Publicou!! Conseguimos!! Quanto ao salário, estou sabendo por você! Esse é o valor tangível, mas os projetos que irei liderar irão acrescentar bastante a população, minha humanidade e o meu curriculum.

#QueIssoGordinho: Muita gente ainda se refere a homosexualidade com o sufixo “ismo”, que denota doença ou patologia. Desde a década de 1990 a OMS (Organização Mundial da Saúde) aboliu isso do cadastro de doenças. O que você tema a dizer para quem pensa errado ainda?
Nélio Georgini: A questão linguística é bem complexa. Há de se entender que qualquer tipo de interpretação é interessada. O ponto é que se conseguiu a abolição do cadastro de doenças. ISSO É O MÁXIMO!!

#QueIssoGordinho: Alguma cartilha será desenvolvida por sua gestão em prol da Diversidade?
Nélio Georgini: Já temos uma! Estamos pensando num aplicativo para o carnaval bem legal com o foco no cuidado da saúde. Lançaremos o #riomaisrespeito. Capilarizaremos as ações para que as 16 superintendências sejam incluídas em todas as ações da CEDS. Há várias novidades chegando!!

ENTREVISTA REALIZADA POR RODRIGO TEIXEIRA


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