Rafel Bulhões (Foto Gabriel Alencar)
Rafel Bulhões (Foto Gabriel Alencar)

A cura de um trauma. É assim que o artista Rafael Bulhões resume a concepção de Devir Gazela, performance escrita, dirigida e protagonizada por ele que será apresentada nos dias 07, 12, 13 e 14 de fevereiro, às 19h, no Teatro Gamboa, no centro de Salvador.

A performance permeia uma exposição com elementos que resgatam o histórico de discriminação que Rafael foi alvo ao longo da vida por ser homossexual, como o anuário do ensino médio de uma tradicional escola particular de Salvador, na qual ele não está na foto, por não se sentir pertencente ao espaço em que sofria bullying.

“Por muito tempo o meu corpo não era moldado pelas instituições e sofri diversos preconceitos por ter uma articulação livre. Tive traumas que milhares sofrem nas ruas, por terem um corpo não normativo e a sociedade, indevidamente contrariando os direitos democráticos, impõe um padrão que na verdade não existe. Precisei de quase 20 anos para isso se transformar em algo artístico e eu poder lidar de uma forma que não seja dolorosa”, afirma.


Foi na mesma escola que ele recebeu o apelido de Gazela, por conta da sua sexualidade. “Gazela para mim sempre foi pejorativo. E através deste trabalho tento ressignificar o trauma, afinal gazela é um animal maravilhoso em seu porte e que a sociedade machista e patriarcal tende a violentar”, explica.

A obra usa objetos marcantes da sua trajetória e projeções de notícias contemporâneas, nutrindo seus pensamentos lúdicos, fantasiosos e utópicos a respeito do que seria uma vida possível. “Muitos passam pelo que passei. Devir Gazela é uma ode a empatia. Vejo nas relações de afeto potências transformadoras”, conclui o artista.

Serviço

Performance Devir Gazela, de Rafael Bulhões.

07, 12 e 13 e 14 de fevereiro, às 19h, no Teatro Gamboa Nova (Rua da Gamboa de cima, Largo dos Aflitos 3, Salvador).

Ingressos a R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia).